HOMENS QUE TÊM MUITAS MULHERES …E POR QUE ELAS FICAM COM ELES (Matéria p próxima supervisão)

HOMENS QUE TÊM MUITAS MULHERES …E POR QUE ELAS FICAM COM ELES

 

O sedutor moderno nada tem a ver com o antigo machão. Ele é sutil, dúbio, se envolve e se preocupa em não magoar as parceiras. A mulher que se relaciona com ele também não encarna mais o papel da vítima. Aqui, dois homens volúveis falam de seu comportamento, duas mulheres revelam o outro lado da moeda e uma psicóloga comenta a situação, bem mais complexa do que nas gerações passadas, em que a confusão se resumia em tachar os homens de sacanas e as mulheres de coitadas.
A psicóloga Cinthia Fontes, especializada em psicologia clínica, diz que é impossível generalizar o perfil do sedutor compulsivo. Mas arrisca alguns traços: “É uma pessoa insegura, embora nem sempre aparente isso, com problemas de auto-estima e que tem medo de ficar sozinho. Em geral não recebeu amor dos pais ou teve conflitos emocionais nunca tratados”. Segundo as mulheres que já foram apaixonadas por tipos assim, eles são bons de cama e têm “uma lábia 10”. Nada a ver com a imagem do mulherengo típico, do qual costumam rir. O sedutor é elegante e pode ter uma atuação admirável em várias esferas da vida, mas é dúbio na relação amorosa.

Para a psicóloga, se o homem se sente realizado tendo muitas mulheres e encontra parceiras que o aceitam assim, o problema não se configura e não há por que julgá-lo. “A questão é quando o homem deseja mudar, não consegue e acaba destruindo relações importantes para ele”, avalia a especialista. Segundo ela, esse tipo de homem tem muito medo de se entregar e ser rejeitado, sofre de falta de auto-confiança na área emocional (mesmo bem-sucedido profissional e financeiramente) e tem uma enorme carência. “É como se procurasse em cada mulher a cura para seu vazio existencial e acreditasse que é função da parceira completá-lo em todos os sentidos, o que é missão impossível.”

“Se as mulheres ficam com os sedutores é porque existe um acordo entre eles”, afirma a psicóloga, lembrando que “muitas mulheres acreditam no efeito bumerangue —de que o homem sai, mas voltará sempre para seus braços.” E sua volta pode ser interpretada pela mulher como uma afirmação de que ela é melhor que todas as outras. “É preciso levar em conta o código de cada casal”, observa a especialista, lembrando que nem todos os pactos são explícitos ou conscientes.

“A mulher que vive ao lado de um homem galinha sofre muito. Mas ela o aceita pela mesma razão que aceita um alcoólatra”, diz a psicóloga. “Acha que vai salvá-lo e que, com ela, ele vai mudar.” Sentir-se sempre atraída por homens assim pode indicar ainda um componente reprimido. A relação seria uma forma de vivenciar, através do parceiro, o desejo de ser sexualmente livre e ter vários amantes.

“A galinhagem masculina é uma agressão à integridade emocional feminina”, continua a especialista. O risco que a mulher corre é não conseguir distinguir que o problema é do homem e passar a se autodepreciar achando que, se ele procura outra, o problema é dela, que não consegue supri-lo. Ou, então, o de se vingar, repetindo o comportamento masculino, seduzindo vários parceiros, realimentando o círculo de poder, ciúme e disputa e negligenciando suas próprias necessidades emocionais.

Arnaldo, 39 anos, médico*
“No meu aniversário, estavam presentes seis ex-namoradas além da minha ex-mulher. Hoje, são todas minhas amigas.

Fora do período de sete anos em que estive casado, vivi inúmeros relacionamentos. Não dá para contar, mas teve uma época que, em três anos, tive cerca de 25 mulheres. Alguns casos duraram dois meses, outros duas semanas e outros se prolongaram mais um pouco. Paixão mesmo tive só três. Evito ficar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, mas já aconteceu. Uma ocasião, deixei a namorada no Brasil e viajei para a Europa. Fui apresentado a uma mulher que me encantou. Foram poucos dias de aventura passageira, e ninguém suspeitou de nada. Algumas vezes em que isso me aconteceu, eu tinha remorso, mas nunca contei, porque não iria agregar nada, apenas magoar. Não creio que nenhuma mulher tenha rancor ou raiva de mim.

Quando fico sozinho, aí, sim, exerço a minha solteirice na sua plenitude. É bom demais, é divertido, é colorido. Porque nesses momentos não há compromisso nem cobranças, as relações são efêmeras. Eu acho que todo encontro de homem e mulher envolve uma química extremamente prazerosa. E isso deve ser respeitado. Como poderíamos proibir a química?

Reconheço que sempre tive dificuldade em dormir sozinho, talvez por carência afetiva, solidão. É legal estar com uma pessoa ao seu lado, ter uma troca, independentemente de você ver essa pessoa como uma eterna companheira.

Casar foi uma coisa muito difícil para mim. As pessoas me chamavam de mulherengo, diziam que eu nunca daria esse passo. Quando a relação ia para esse caminho, eu pulava fora. Acabei casando tarde, quando a maioria dos meus amigos já era pai. Fui feliz e durante alguns anos consegui ser fiel. Ela sabia da minha fobia em relação a perder a liberdade e conversamos, verbalizamos esse sentimento. Ela mesma diz que eu fui politicamente correto. Só uma vez, no final, quando a relação já estava degringolando, voltei um dia para casa com o cabelo molhado. Tivemos uma grande briga, mas tinha sido apenas uma aventura.

No final do meu casamento, eu tive dificuldades para me separar e recorri a uma terapia com esse objetivo. Não foi para falar sobre a minha infância. Após um ano de tratamento, eu me separei. Acontece que a minha terapeuta era uma mulher muito interessante. Então resolvi abrir o jogo, eu queria sair com ela. Por questão ética, ela imediatamente me propôs encerrar a relação profissional. Começamos a sair e acabamos nos envolvendo muito. No início, deu um nó na minha cabeça, porque ela tinha a vantagem de conhecer tudo sobre mim e eu nada sobre ela. Essa diferença foi resolvida com o tempo, mas depois essa relação também terminou.

Há alguns anos, num período de total solteirice, eu fazia verdadeiras acrobacias. Às vezes era só para ter companhia, não ficar sozinho. Não tenho nenhuma tática especial, apenas me considero um sujeito bem-educado e com uma boa dose de cara-de-pau. Cheguei a marcar um almoço com uma mulher numa cidade e um jantar com outra, a mais de 100 quilômetros de distância. Mas eu não me sentia um super-homem. Na verdade eu me sentia muito mal. Era um estresse do cão, eu tinha que fazer uma verdadeira ginástica. Mas não magoava ninguém porque não havia nenhum envolvimento emocional. No fundo, achava que cometia um erro, mas eu fazia muito isso. Talvez eu sempre tenha vivido numa busca frenética pela mulher ideal. E quem sabe tenha tropeçado nela e nem tenha percebido a minha chance. Estou namorando há um ano. Para mim é bastante tempo. Ela é uma pessoa maravilhosa e inteligente, bem mais nova que eu, e moramos em cidades diferentes. Fizemos duas grandes viagens e eu, que sempre adorei viajar sozinho, achei maravilhoso estar com ela. Sei que minha vida só pode melhorar com essa relação, mas casar de novo é uma questão que mexe muito comigo. Eu estou passando novamente por esse momento de ter que tomar decisões e com muito medo de ser cerceado na minha liberdade.”

João Pedro, 42 anos, advogado* “Quando eu conheci a minha ex-mulher, ainda era apaixonado por outra menina que tinha me deixado após dois anos e meio de namoro. Eu estava de coração partido e me interessei pela Antônia, porque, de costas, ela se parecia com essa ex-namorada.

Quando a Antônia me fez uma proposta de casamento, senti que era a oportunidade de finalmente eu ter a estrutura familiar que nunca tive. Meus pais se separaram quando eu era garoto, morei uns tempos com uma avó, fui para colégio interno, estudei fora. Eu sentia falta de estrutura, mas, na verdade, casar não era o que eu queria. Antônia insistiu e eu me deixei convencer. Casei com 25 anos, mas acho que ninguém devia se casar antes dos 30. Eu estava numa fossa e ela foi a tábua de salvação. Mas era zero de paixão. Era como se eu não me considerasse casado, não usava nem aliança. Filhos eu também não queria. O nenê acabou vindo por acidente, dois anos depois.

Nós nos dávamos maravilhosamente bem na cama, sexualmente eu estava satisfeito. Mas não existia carinho, ela nunca foi de ficar pedindo beijo ou declarar que gostava de mim. Na época eu trabalhava como relações-públicas numa multinacional, tinha festa de final de ano, eu sempre acabava ficando com alguém. Dessa forma, eu supria a minha carência afetiva. Mas sempre respeitei a minha mulher. Nunca admiti que estava na galinhagem, dizia que estava com amigos ou trabalhando.

Se ela sabia de alguma coisa, nunca me confrontou nem pediu para eu parar. Ela simplesmente fazia que não percebia. Eu me sentia completamente desvalorizado, porque ela não se importava se eu chegava às 4 da manhã ou às 5 da tarde do dia seguinte. Poucas vezes demonstrou sentir ciúme de mim. Só teve uma vez em que deixei ela em casa, depois de um casamento, e fui para uma boate. Nessa noite, ela foi atrás de mim e fez uma cena. Mas depois ela se fechou. Mergulhou no papel de mãe e, como eu sempre fui um pai ausente, ela se empenhou mais ainda na maternidade.

Eu sentia que Antônia me deixava as portas abertas. E eu acho que todas as mulheres têm o seu encanto. Mulher é como ópera, cada uma tem a sua ária. Pode ser bonita, feia, alta ou baixa, gorda ou magra. Sou um eterno admirador do sexo oposto. São criaturas fantásticas, apesar de eu não conseguir entendê-las. Tive cerca de 150 mulheres na minha vida. Tenho mais fama de conquistador do que realmente sou. Herdei o jeito galanteador do meu pai. Não sou muito bonitão. Tenho uma carroceria de fusca com motor de Ferrari, então preciso ter cinco minutos para me deixar conhecer, me tornar interessante.

Durante os 12 anos em que fui casado, além de outras relações esporádicas, tive pelo menos quatro casos que duraram meses, um ano. Às vezes eu me apaixonava. Eu não enganava as mulheres, minhas namoradas sabiam que eu era casado, algumas até conheciam a minha mulher. Nosso casamento já estava estremecido, mas eu não largava a Antônia. Talvez por covardia. Eu gostava dela e a admirava muito, mas não era apaixonado. Além disso, existia uma criança e toda a estrutura familiar, que para mim era importante.

Ela uma vez me traiu durante uma viagem e me contou. Não me achei no direito de rodar a baiana, eu tinha um certo sentimento de culpa. Fiquei bem chateado, mas nunca mais toquei no assunto. Já eu nunca abri o jogo sobre as minhas infidelidades. Sempre procurei ser discreto e nunca imaginei que pudesse magoá-la. Só me sentia às vezes angustiado. Eu não tinha medo de perdê-la, achava que não ia doer se eu me separasse. Mas quando aconteceu foi muito doloroso, fiquei totalmente fragilizado. Logo depois da separação conheci minha mulher atual. Ela me pegou no fundo do poço e me ajudou a deslanchar a minha vida novamente. Fizemos uma viagem a Paris, comprei duas alianças e faço questão de usar a minha.

Comecei uma relação com uma atitude diferente e estou me sentindo preenchido. Ela tem ciúme de mim e eu me sinto valorizado. Estou casado há cinco anos e não sou mais um casanova. Ela fica às vezes grilada quando faço um elogio a alguém. Claro que se passar uma mulher bonita eu vou olhar. Aí ela reclama, mas eu acho graça e tenho ciúme também. Ela não chega a ser possessiva, nunca vasculha meus bolsos, mas eu aprendi a dar satisfação.

Às vezes, me questiono sobre o fato de não ter ficado sozinho entre um casamento e outro. Concluo que tive vida de solteiro quando era casado. Hoje eu seguro a franga. Não posso dizer que é para sempre, mas estou feliz e não quero arriscar. Porém não me livrei de um grande defeito, que é o de desvalorizar o que eu tenho. Sempre fiz isso. Reconheço que não dava valor à Antônia. Pode ser um lado meu que não se dá o direito de ter coisas boas por perto. Hoje estou mais maduro e sou fiel, até prova em contrário.”

A versão delas

Cecília, 38 anos, professora*
“Nunca assumi o papel de vítima ou sofredora. Casei sabendo que ele não era fiel. Namoramos três anos e casamos os dois com 25. Para o homem acho que é muito cedo. Ele queria transar com todas que encontrava no caminho. Mas na cama eu era feliz com ele. E eu me sentia bem por ter ao meu lado um homem bonito que era cobiçado por muitas mulheres.

Desde o namoro, ele já era galinha. Uma vez ele estava comigo, passou uma garota, ele encarou, se virou ostensivamente e rodeou a menina. Achei o cúmulo e meti a mão na cara dele. Ele sempre dava um jeito de inventar brigas, para poder ficar um tempo livre, com outras. Mas depois queria voltar comigo. Numa ocasião, brigamos um pouco antes do carnaval. Ele começou a namorar uma menina, depois do feriado voltamos, mas ele deixou fotos dela dentro do carro. Os dois abraçadinhos, na praia. Quando eu o confrontava, ele não mentia. Dizia que tinha acontecido, mas não se justificava.

Nunca fui possessiva, mas acabei cansando e fui embora para os Estados Unidos. Quando ele sentiu que ia me perder de vez, ficou desesperado e foi me buscar, dizendo que me amava. Casamos, mas nunca me iludi. Eu sabia que não ia dar certo, mas, ao mesmo tempo, achava que ele poderia mudar. Acreditava que o amor ia conseguir superar qualquer obstáculo. Era louca por ele. Hoje sei que ninguém muda ninguém.

Quando engravidei, fiquei toda feliz, tinha aquela idéia de família perfeita. Só que um dia encontrei o crachá de uma menina dentro do carro. Ele disse que a menina havia esquecido, que ele só tinha dado uma carona para ela. O que é que eu ia fazer? Resolvi esperar o bebê nascer. Ainda grávida, soube de outros casos, e isso ia detonando o casamento. Eu não sou de brigar, mas fui deixando de gostar. Nunca o perdoei, mas acho que era tudo imaturidade dele. Eu não descreveria o meu ex como um safado, mas sim como problemático. E eu também me acomodei na situação.

A gota d’água foi coisa de filme: a gente já estava mal e uma noite ele chegou em casa com a boca suja de batom. Ele nem tinha percebido. Brigamos, ele confessou que tinha outra há mais de um ano. Na manhã seguinte, botei ele para fora de casa. Na minha opinião, ele achou até bom, queria ficar livre e se aproveitou da amante para conseguir isso. Assim que a gente se separou, ele largou essa mulher. Ela ligava em casa procurando por ele, passava trote. Mas ele nunca mais ficou seriamente com ninguém. Hoje ele tem uma namorada que quer casar, mas ele foge. Sempre quis ser livre para poder estar com todas as mulheres ao mesmo tempo, sem as responsabilidades de casamento.

O irônico é que ele sempre continuou querendo voltar. Estou separada há anos e no último aniversário ele ainda me mandou flores. Alguns amigos me dizem que ele se arrependeu, e ele se queixa que perdeu o dia-a-dia com o filho. É um pai presente. Mas para mim acabou o amor, a admiração. Esse caráter dele conseguiu exterminar até o tesão. Ele não fazia questão de disfarçar, e eu me sentia magoadérrima. O fato de ele ser casado até facilitava os seus movimentos. Sendo comprometido, não precisava assumir nada com nenhuma outra.

Talvez seja um traço da minha personalidade gostar de homem assim. Depois de separada tive vários namorados galinhas. Só gosto de homem bonito e sedutor —e geralmente esse tipo não é fiel. A diferença é que hoje eu também não sou mais. Saí do casamento querendo conquistar todos os homens. Afinal, tinha ficado anos com um só, que me traía. Depois de separada tive vários casos. Eu quero ser a única, a escolhida —e gosto de competir com outras mulheres. Agora estou namorando um cara que tem um passado negro, uma ficha terrível, mas é um sujeito mais velho e até está procurando envolvimento. Mas tenho dificuldade de acreditar que alguém vai ser legal comigo. Cheguei a me apaixonar duas vezes, e nada deu certo: um era galinha e o outro morava longe.

Não acho que fiquei amargurada com a experiência porque tenho minha vida, amo a minha profissão, meu filho, minhas amigas. Me sinto bonita e jovem e isso ajuda. Acredito que até resguardei uma certa ingenuidade. Só que aprendi a falar menos, a ser menos honesta, a preservar os meus segredos. Não tenho medo de entrar nas relações, até casaria de novo. Mas tenho medo de me entregar completamente.”

Juliana, 34 anos, produtora*
“Sérgio e eu éramos bons amigos. Eu tinha terminado um namoro e ele também. Quando a gente se encontrava, ele brincava, me chamava de gata, me contava os seus casos. Nunca pensamos que haveria algo entre nós. Aí viajei e passei três meses fora do Brasil. Quando voltei, comecei a sair com o Sérgio. Ele continuava a me contar as suas histórias, às vezes até paquerava alguém na minha frente. Era supergalinha, ficava com várias ao mesmo tempo e todas eram enlouquecidas por ele. Não que fosse um homem muito bonito, mas sim sedutor, interessante, boa-pinta.

Tinha 25 anos quando começou a rolar um affair entre a gente e tive que botar as outras para correr. Cheguei a disputá-lo com 15 mulheres. Não era inocente e sempre soube que tipo de homem ele era. O comportamento dele era imaturo, precisava se auto-afirmar, mas era inconsciente, tinha aquela coisa meio machista de achar que tem que pegar 300 mulheres. Ele tem até hoje essa mentalidade.

Nem sei explicar como me envolvi, devo ter atração por homem assim, a disputa me estimula. Talvez seja auto-afirmação da minha parte: se eu conseguisse mudá-lo, provaria ser melhor que as outras. Sou ciumenta e rodo a baiana quando preciso. Disse de cara que não iria aceitar ser mais uma de sua listagem. Aí ele me assumiu. Foi meio tumultuado nosso relacionamento, mas ele sempre me tratou superbem. Quando eu entrava no carro, tinha sempre uma surpresa, um ursinho de pelúcia, flores. Em seis meses fomos morar juntos. Era louco por mim e acredito que durante os dois primeiros anos foi fiel, o que já foi uma vitória.

Até que a gente começou a ter muitas brigas. Nem eram motivadas por outras mulheres, é que nós dois temos gênio forte e pavio curto. Então eu fazia as malas e voltava para a casa da minha mãe. Foi durante as brigas que peguei ele com outras, mas ele sempre me enrolava. Não me deixava acreditar no que estava vendo! Uma vez, o carro dele passou na minha frente e havia uma mulher com ele. Ele mandou a mulher se abaixar. Fiquei na dúvida: será que tinha visto mesmo? A cena se repetiu. Ele percebeu que eu tinha visto tudo e uma hora depois me ligou, fazendo declarações de amor. Conseguiu me despistar dizendo que era um amigo que estava no carro. Sérgio tinha uma lábia 10.

Quando fiquei grávida, tudo mudou. Se dependesse dele, a minha auto-estima tinha ido para o brejo, porque ele deixou de ter ciúme e tesão por mim. Eu me sentia uma grávida bonita. Mas ele me desvalorizou, se distanciou. Não procurei saber se ele foi galinhar, era uma maneira de me proteger. Sempre desconfiei, mas nunca tinha certeza se ele tinha aprontado. Não é que ele mantinha uma amante, mas tinha seus casinhos. Nunca o traí, mas ele tinha ciúme. Deve ter alguma explicação psicológica para eu gostar só de homem sem-vergonha. Meu pai sempre foi muito galinha e eu era apaixonada por ele, que sempre foi o homem da minha vida. Mas vi minha mãe sofrer muito com meu pai.

Quando o meu filho tinha 1 ano e meio, Sérgio teve que viajar. Desconfiei e descobri que ele tinha levado uma mulher com ele. Era uma amiga minha, que freqüentava a nossa casa. Foi duro, mas paguei para ver. Não quero me fingir de inocente, não quero ser uma enganada feliz. Quando o confrontei, ele não teve como negar, porque eu tinha provas irrefutáveis. Ele ficou surpreso e ainda tentou se esquivar fazendo declarações de amor. Mas o casamento acabou naquele dia. Ele me subestimava, sempre achando que ia conseguir me enrolar. Digo ao Sérgio que fiz uma faculdade ao seu lado. Hoje eu namoro um cara que também é um sem-vergonha. Estou na pós-graduação. Sempre acho que posso mudar o homem, mas, na verdade, esse tipo nunca se regenera. E eu estou ficando velha para estar sempre preocupada se vou ser traída. Uma hora vou aprender.

A minha vingança foi mostrar a meu ex-marido a mulher que ele perdeu. Ele me amava, eu sei, e sempre vai ter remorso pelo que fez. Nunca mais casou, tem várias namoradas, voltou à estaca zero, e somos superamigos novamente. Até já administrei algumas confusões que ele arruma com as namoradas dele.”

Por Antonella Kann

* Todos os nomes foram mudados a pedido dos entrevistados

 

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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