Sem medo de se arrepender…

Por Sandra Maia .

04.02.11 – 14h48

 

Sem medo de se arrepender Por vezes, nos arrependemos de algo que fizemos ou dissemos e não nos desculpamos. Não nos retratamos com o outro. Outras vezes, nos dizemos arrependidos, pedimos perdão, dizemos que não vai mais acontecer e, de novo, lá estamos nós com a mesma atitude destrutiva, com o mesmo comportamento. O outro que havia perdoado fica sem chão. Como se estivesse em uma armadilha de novo, se vê iludido, enganado, ultrajado… Por que então agimos assim? Por que perdoamos a quem não devíamos perdoar, por que não perdoamos a quem deveríamos perdoar? Sim, pois às vezes erramos mesmo por amor. Arrependemo-nos verdadeiramente e não mais repetimos o que causou toda a situação. O que acontece é que nem todos são assim. E, mesmo, com juras eternas de amor não têm respeito por si ou pelo outro. São egoístas e, sim, são nossos inimigos. Sempre serão. Nesses casos, discurso e atitude são coisas totalmente distintas e diferentes… Irreparável Esta semana recebi duas cartas de leitoras, ambas com uma história parecida. Haviam se casado, constituído família, estavam felizes. Até que o outro enlouqueceu e, de repente, estava lá, de forma violenta destruindo tudo que havia construído. Sem falar na perda do respeito pelo outro – o pior –, o dano que causava à autoestima, a relação como um todo eram irreparáveis. Qualquer tipo de violência não pode ser aceita. Não pode ser esquecida tão facilmente. Deixa marcas. Deixa tudo sem cor, sem vida. Muitas relações com essa dinâmica tem base na codependência. Que pode ser traduzida como uma confusão de pensamentos e sentimentos que nos assola a alma e nos paralisa. Não conseguimos nos desligar do outro que é, ao mesmo tempo, algoz e companheiro. Não conseguimos porque não sabemos que podemos, porque nos relacionamos dessa forma a vida inteira, sendo menos, achando-nos inferiores, necessitados. E, mais: não saímos porque dependemos emocionalmente desse outro. E, se por acaso, decidirmos abrir mão de tudo sem entender o que causa esse padrão viciado de comportamento, problemas à frente. Logo logo vamos entrar em outra relação com a mesma tônica. Forças Um que sofre e outro que nos faz sofrer… Um que é viciado em qualquer coisa e outro que vive em função deste e se anula, se abandona… A questão é sempre a mesma. Não temos forças para olhar para dentro, para encontrar nossa essência, nossos sonhos, nossa fortaleza e então fazemos pelo outro como se isso fosse nos tirar do medo, da dor do desespero de ser quem somos… Complexo tudo isso? É mesmo complexo e, sempre digo, sair de uma situação de codependência ou de amar demais demanda ajuda externa. É preciso fazer parte de um grupo, de uma terapia, de um algo que ajude a resgatar a auto-estima e a razão de viver. Algo que nos acorde para a vida, para o que somos, para o que podemos ser. Não dá para sair sozinho, não dá para permanecer e também não dá para ouvir os amigos… Estes não compreendem porque agimos dessa forma. Porque nos submetemos, porque vivemos atordoados com essa síndrome de capacho… Relacionar-se de forma não saudável é algo que acaba com a vida. Mas é possível encontrar uma saída. Passível de encontrar uma solução que nos ajude a resgatar o sonho, o amor, a oportunidade de ser nesta vida, aqui e agora. Escolhas, sempre escolhas…

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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