Uma forma patológica de amar: O vinculo tantalizante

Uma forma patológica de amar: O vinculo tantalizante

Dra.Lídia Craveiro
Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Psicanalítica. Técnica de reabilitação profissional de pessoas com deficiência e incapacidades na Cercimor há 30 anos. Membro Efectivo da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos. Cédula profissional nº 8561

Na mitologia grega, Tântalo foi um mitológico rei da Frigia ou da Lídia, casado com Dione. Ele era filho de Zeus e da princesa Plota. Segundo outras versões, Tântalo era filho do Rei Tmolo da Lídia (deus associado à montanha de mesmo nome). Teve três filhos: Níobe, Dascilo e Pélope. Certa vez, ousando testar a omnisciência dos deuses, roubou os manjares divinos e serviu-lhes a carne do próprio filho Pélope num festim. Como castigo foi lançado ao Tártaro, onde, num vale abundante em vegetação e água, foi sentenciado a não poder saciar sua fome e sede, visto que, ao aproximar-se da água esta escoava e ao erguer-se para colher os frutos das árvores, os ramos moviam-se para longe de seu alcance sob força do vento. A expressão suplício de Tântalo refere-se ao sofrimento daquele que deseja algo aparentemente próximo, porém, inalcançável, a exemplo do ditado popular “Tão perto e, ainda assim, tão longe”. Fonte Wikipédia

O vínculo tantalizante está muito associado ás vítimas de violência doméstica, uma vez que é o tipo de vinculação que estes homens e mulheres vitimas conhecem melhor e pelo qual estabelecem relações. Esta forma de amor, patológica, é um amor de domínio, poder e sedução do elemento do casal que tantaliza o outro. Este tipo de ligação amorosa faz que homens e mulheres estejam envolvidos numa ligação amorosa de um sofrimento crónico em que “ não atam nem desatam” num ciclo sem saída aparente. É mais comum existir mulheres nesta situação do que homens, pelo menos a pratica clínica assim o demonstra, mas no entanto hoje era anunciado na rádio que em morrem cerca de três mulheres em quatro, vitimas dos seus maridos.
A mulher gravita em torno de uma relação com um homem “ a quem ama acima de tudo” enquanto ele mantêm e renova as esperanças dela, porem por razões diferentes diz quase sempre que é impedido de realizar as promessas de estabilidade e de amor para com ela. São os homens que maltratam fisicamente, mas nem sempre. Muitas vezes saltitam por outras relações, dão a conhece-las á esposa ou namorada, e acusam-na de o terem feito por ela não o saber compreender. Aos poucos esta situação vai-se tornando crónica, a mulher é excluída, assume o papel de “eterna reserva” que de vez em quando entra em campo para jogar um curto período de tempo enquanto não aparece outra. Com a outra vai assumindo todo do tipo de desculpas, não consegue prender-se a ninguém, ia deixar a mulher mas ela tentou matar-se, ela merece melhor, pede para ter paciência que um dia fica com ela. Tudo isto é grave, mas torna-se perigoso do ponto de vista físico, quando é acompanhado de maus-tratos físicos.
Ninguém consegue entender como é que mulheres jovens e bonitas se deixam dominar, porque se trata de domínio, por homens que só amam de forma tão distorcida. Este tipo de mulheres tem uma fragilidade egóica enorme, uma grande necessidade grande de afecto e a falsa crença de que elas são as culpadas de não serem amadas pelo homem escolhido. Se lhe batem é porque gostam delas, se arranjam outra é porque elas não o souberam amar. Assim se perpetua um vínculo patológico de amor.
O domínio e o apoderamento da mulher por parte do homem é algo secular na nossa cultura, ajudando a manter relações deste tipo porque as mulheres não procuram ajuda, por ser algo aceite socialmente.
Trata-se de homens e mulheres (embora a frequência seja maior nos homens) com organizações da personalidade de alguma perversidade, que foram submetidos a uma educação onde o vínculo tantalizante estava presente.
Estas relações do tipo tantalizante são sempre pautadas por afastamentos e reaproximações em que o domínio e o poder são exercidos de forma psicológica e física muitas vezes, acreditando estas mulheres serem amadas desta forma tão distorcida.
Isto caracteriza de alguma forma o suplício imposto a tântalo, um processo de dar (ás custas de muito choro, promessas e obediência total, etc) e tirar, acrescido de um apoderamento e de uma abolição do desejo do outro. Importa destacar que filhos educados nesta atmosfera emocional, tornam-se fortes candidatos a identificarem-se com o agressor (por exemplo o pai), e com a vítima (por exemplo a mãe), ou com ela própria, criança, vítima de suplícios, assim reproduzindo na vida adulta relações amorosas com configurações análogas ao do modelo que os pais tiveram entre si e com ela, a criança.

Tantalizar significa: aquele que tantaliza, isto é, que espicaça ou atormenta com alguma coisa que, apresentada á vista, excite o desejo de possui-la, frustrando-se este desejo continuamente por se manter o objecto fora do alcance, à maneira do suplício de Tântalo.

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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