Mito de tântalo

Mito de tântalo

Quem não vive um grande amor, está louco para encontrar. A vida compartilhada a dois, realmente é muito mais saudável. Relações amorosas quando férteis, trazem bem estar e longevidade. Não saudáveis provocam muitas angústias. É comum pessoas nos procurarem para tentar entender; por que estão vivendo um relacionamento amoroso e ao mesmo tempo conflituoso, cuja relação se caracteriza por uma indefinição, sem consistência e sem metas para o futuro? E por que, mesmo assim, constituem-se em uma grande incapacidade para o rompimento e separação? Há uniões, acordos e conluios que perfazem décadas e décadas e não se definem. Há infinidades de formas para expressar o que sentimos pela pessoa que está ao nosso lado. Formas que são até mesmo patológicas, ou seja, tantalizantes. Observamos um grande número de situações com configurações vinculares onde homens e mulheres envolvem-se amorosamente de forma sofrida e cronificada em um “nem ata nem desata” cíclico e aparentemente sem saída. Em nosso meio cultural parece mais evidente observar um número de mulheres que estão aprisionadas na rede dessa vinculação patológica. Sabemos que existem mulheres que ao mesmo tempo esperançosa, está completamente frustrada, envolvida com um homem a quem ela “ama acima de tudo”, enquanto ele mantém e renova as esperanças dela, porém, por razões diferentes, sempre se diz impedido de realizar concreta ou definitivamente as suas promessas de uma união estável e exclusiva com ela. Conforme o psicanalista Davi Zimerman, é perigoso este tipo de relação, pois vai cronificando uma condição de sensação de se sentir excluída, como se fosse uma reserva, uma “regra três”, que de vez em quando, entra em campo para jogar por um curto espaço de tempo o jogo deste tipo de amor, para logo após, nas partidas seguintes, cederem o lugar a uma outra eventual titular. Permanecendo assim, neste vínculo tantalizante. Tantalizante, por sua vez, é um termo pouco conhecido. No Dicionário Aurélio, o termo aparece definido como: “aquele que tantaliza”, isto é, atormenta com alguma coisa que, apresentada à vista, excite o desejo de possuí-la, frustrando-se este desejo continuamente por se manter o objeto fora de alcance, à maneira do Suplício de Tântalo. O mitológico suplício de Tântalo tem esse nome por ter roubado os manjares dos deuses do Olimpo, foi punido por Zeus, para eternamente passar fome e sede. Tântalo foi acorrentado, e imerso até a cabeça, com os pés presos ao fundo, nas águas de um lago situado em um lugar rodeado por um bosque acolhedor, consistindo o suplício em que as águas subissem até sua boca para em seguida fugirem de seu alcance quando ele se preparava para saciar a sua imensa sede, o mesmo acontecia com os apetitosos frutos que se aproximavam com a promessa de alimentá-lo e igualmente se afastarem, assim perpetuando um irreversível e repetitivo ciclo de promessas, expectativas e decepções, em um perverso dar e tirar. Esse mito, também representa a forma de viver de pessoas que passam sua vida tentando atingir objetivo que, pelos mais variados motivos, vão além de uma possibilidade viável de ser realizada, e, por essa razão, é marcada por uma insatisfação constante e torturante. Este tipo tantalizante de se relacionar pode acontecer também, com pais e filhos; mães, filhos ou filhas e muito mais tipos de parcerias, não só entre casais. Temos então, analiticamente falando, a difícil tarefa de levar essa (e) paciente a reconhecer que aquilo que considera como um grande amor, embora esteja claro que é um relacionamento complicado e com muitos obstáculos, pode estar sendo mais do que um sintoma psíquico, fruto de uma excessiva idealização que ela (e) faz do cúmplice tantalizador à custa de um esvaziamento e autodenegrimento de si própria (o). Neste caso é necessário construir gradativamente, núcleos de confiança básica que lhe faltaram no curso de sua evolução emocional.

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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