Mimadas!!!

Mimadas!

por Laura Jeunon | 30/09/2005

Ouvir um “não” não é a especialidade delas. Frustração é sempre
sinônimo de cara emburrada. E ai de quem achar ruim: elas, sem dó nem
piedade, abrem o berreiro. Já identificou de quem estamos falando? Das
pessoas mimadas.



<script language="JavaScript" type="text/javascript">
document.write(‘<a
href="http://a.bolsademulher.com/www/delivery/ck.php?oaparams=2__bannerid=4628__zoneid=8__source=estilo__cb=0a1aaf29a6__oadest=http%3A%2F%2Fclk.atdmt.com%2FQZ1%2Fgo%2F279992501%2Fdirect%2F01%2F"
target="_blank"><img
src="http://view.atdmt.com/QZ1/view/279992501/direct/01/"/></a>’);
</script><noscript><a
href="http://a.bolsademulher.com/www/delivery/ck.php?oaparams=2__bannerid=4628__zoneid=8__source=estilo__cb=0a1aaf29a6__oadest=http%3A%2F%2Fclk.atdmt.com%2FQZ1%2Fgo%2F279992501%2Fdirect%2F01%2F"
target="_blank"><img border="0"
src="http://view.atdmt.com/QZ1/view/279992501/direct/01/"
/></a></noscript>

Eles não têm lá muita facilidade para ouvir um "não". Quando se deparam
com alguma frustração, não é raro emburrarem a cara, fazerem bico ou
até caírem em prantos. Vivem esperando que os outros resolvam seus
problemas, ao invés de colocar a mão na massa e ir à luta. Se você
ainda não identificou, estamos falando das pessoas mimadas. É claro que
nem todas chegam a reunir essas características de uma só vez. Uns
mais, outros menos… Mas se tem algo que todos os mimados têm em
comum, é o local onde aprenderam a ser assim: dentro de casa. Sem que
percebam, filhos mal-acostumados por pais carinhosos, atenciosos e
benevolentes demais carregam sua dependência para a vida adulta – e,
conseqüentemente, para suas relações afora. Costuma ser doloroso quando
um mimado cai em si e percebe que tende a enxergar o mundo como se ele
girasse ao seu redor. Por outro lado, esse é o primeiro e mais
importante passo para reverter um jeito de ser construído desde tão
cedo e aprender a lidar com as dificuldades da vida de maneira mais
leve e autônoma.

Não é difícil de identificar alguém que foi – ou ainda é – mimado pelos
pais (ou avós, tios e outros responsáveis). Você mesmo deve lembrar de
algum amigo, parente, ex-namorado ou conhecido que tenha alguma
característica que faça você reconhecer nele um quê de gente mimada. De
qualquer jeito, recorremos a um psicólogo para descrever com mais
propriedade os traços de alguém que faz jus a esse adjetivo. “Eu diria
que são dois os principais traços psicológicos do que se entende
normalmente por uma pessoa mimada: a imaturidade emocional e a
dependência em coisas banais, sentindo-se no direito de que outras
pessoas lhe resolvam as coisas”, enumera Carlos Bein. A imaturidade
emocional a que Carlos se refere é evidenciada em situações em que algo
não sai da maneira como o sujeito desejava. “Diante de uma frustração,
a pessoa se sente transbordada de emoções. Este seria um modo de
pressionar quem está ao seu redor, através de birras, pranto e
manipulações diversas, para resolverem as coisas, dando fim a seu
sentimento de frustração”, esclarece o psicólogo.



Alguns mimados são capazes de desenvolver, mesmo que inconscientemente,
estratégias supersedutoras para conquistar a boa vontade de quem está à
sua volta. “Normalmente todos atendem aos pedidos dela. Ela tem uma
tática bem interessante, pois não faz o tipo mimada chata. Ela
interpreta a mimada coitadinha e faz com que todos tenham pena dela”,
conta a jornalista Kátia Saldanha, se referindo à irmã – gêmea, por
sinal. “Minha mãe é capaz de sair de casa às dez horas da noite,
debaixo de chuva, mesmo que já esteja de pijama, só para ela não ter
que pegar um ônibus para voltar da faculdade. E olha que não fica
longe. É frescura mesmo. Chegou ao ponto de ela nem ter que pedir. A
família até se oferece quando a vê numa situação na qual ela não sabe
como agir. Essa dependência atrapalha demais a sua vida. Ela não sabe
se virar! Nunca quebrou a cara, por isso, quando acontecer – seja no
trabalho ou num relacionamento – vai sofrer demais, e quero ver quem
consegue segurar a onda”, alerta a irmã, que soube se proteger do mimo
dos pais. “Somos gêmeas, mas essas mordomias só acontecem com ela. Até
porque eu não peço, acho vergonhoso, e não preciso que ninguém faça
nada disso por mim. Prefiro me virar sozinha e me sinto bem percebendo
que sou capaz de tocar minha vida sem a ajuda dos outros”, compara.

Se o assunto é gente mimada, não poderíamos deixar de falar daquela
estrutura familiar que, segundo muitos dizem, é tiro e queda para dar
fruto a crianças – e, posteriormente, adultos – mimadas que só elas: os
filhos únicos. O analista de sistemas Marcelo Carvalho, de 26 anos,
afirma que namorou uma garota que, por não ter que dividir a atenção –
nem o dinheiro! – do papai e da mamãe com ninguém, se tornou uma típica
menina mimada.”Tudo que ela quer o pai dá. Sempre foi assim. Ela
cresceu achando que o mundo gira ao redor dela, porque nunca ouviu um
‘não’ na vida. Para você ter uma idéia, quando ela fez quinze anos, seu
pai perguntou se ela queria fazer uma festa ou ir pra Disney. Ela disse
que festa era um saco e que de Disney ela já estava enjoada. Então
pediu um carro. E o cara deu! Um carro 0 km pra uma garota de quinze
anos, tem noção disso?”,
revolta-se Marcelo, que não demorou para dar
fim ao namoro. “Ah, a mentalidade dela atrapalhou muito. Assumo que não
tenho muita paciência com esse tipo de frescura. Eu acabava sendo
grosso com ela, não deu certo. Mulher fresca assim não serve para mim”,
categoriza o estudante.

Carlos Bein concorda que, numa família em que o filho é carente de
irmãos, a tendência de os pais excederem no mimo é maior. “Em geral, os
filhos únicos são mais mimados, sim. Como os pais, ou avós, não
precisam repartir as atenções com outras crianças, esses dispõem de
mais tempo para satisfazerem os caprichos do filho único”, esclarece o
psicólogo, reafirmando que ser mimado é mesmo algo que se aprende e se
absorve no ambiente familiar. “Este é um tipo de comportamento que se
aprende em casa. Na medida em que a família responde, o comportamento
vai se reforçando”, frisa. Entretanto, não são só os pais que
contribuem para reforçar o jeito de ser daquele que se comporta como
uma pessoa mimada. Do lado de fora, o papel benevolente desempenhado
pelos pais pode ser exercido também por amigos ou mesmo pelo parceiro.
“Se a pessoa de algum modo repete o que aprendeu em casa, é porque
achou uma maneira de fazer com que os outros o mimem. Achou alguém ou
até mais de uma pessoa disposta a entrar no jogo”, diz Carlos Bein.

Mimo: delicadeza, gentileza. Meiguice, carinho, afago. Mimado: tratado com mimo, com carinho.
Como se pode perceber, no dicionário Aurélio não consta o significado
pejorativo do adjetivo “mimado” ao qual viemos nos referindo. Aliás,
tem gente, inclusive, que acredita que algumas pessoas confundem mimo
com a atenção que os pais podem dar. A estudante de letras Lívia T., de
26 anos, confessa que já foi chamada de mimada diversas vezes por suas
primas, mas que não concorda muito com o título que recebeu. “Elas
diziam que eu era mimada porque minha mãe preparava o meu café da manhã
antes de eu ir pro colégio. Fazia meu sanduíche e meu leite e elas
achavam isso um absurdo. Acho que mimado é quem não aprende a dividir
as coisas. Eu sempre dividi com a minha irmã, não só brinquedos, mas
também carinho e atenção. Minha mãe sempre foi fofa comigo e com minha
irmã, e vai continuar sendo. Muitas vezes ela faz o prato de comida pra
mim quando vê que estou com pressa. Ela tem esse cuidado, que outros
podem considerar um mimo. Eu sei que a pessoa mimada nunca admite que
é, mas se mimar é dar atenção, fazer as coisas pelo outro, então eu
também faço isso por outras pessoas, como por meu namorado”, compara
Lívia, que também prepara para o companheiro o café da manhã. “Seguindo
a lógica, eu estaria mimando ele. Mas considero isso uma prova de
afeto, um jeito de cuidar de quem se gosta. É claro que, às vezes,
também peço para ele fazer o café ou pra tirar a mesa, pra ele não
ficar mimado, né?”, revela, em tom de brincadeira, a estudante.

Será, então, que é possível mimar os filhos de uma maneira saudável,
sem exceder? Na opinião de Carlos Bein, não só é possível, como… “É
necessário. Já foi provada, por exemplo, por um estudo de Harry Harlow
com filhotes de macaco, a importância do contato físico da mãe com sua
cria. Os filhotes que foram privados do contato materno durante o
período de crescimento apresentaram transtornos muito severos depois de
adultos. Receber atenção e carinho é imprescindível para a formação de
uma pessoa física e psicologicamente saudável”, assegura Carlos Bein,
acrescentando que ter sido uma criança mimada não significa ser refém
desse comportamento para o resto da vida. “O ser humano tem grande
capacidade de aprendizagem e, por assim dizer, de ‘desaprendizagem’. Se
o indivíduo chega a perceber que seu modo de agir é inadequado, por ter
dificuldade de aceitar e se acomodar aos sentimentos de outras pessoas,
e realmente quiser mudar, é bem provável que o consiga”, conclui,
otimista, Carlos Bein.

Anúncios

Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
Esse post foi publicado em Saúde e bem-estar. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s