Mulheres que amam demais II

Mulheres que amam demais

Publicado em: 01/01/2001. Última revisão: 25/04/2010
Dr. Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicólogo e Terapeuta Sexual. Diretor Publicações do CEPCoS – Centro de
Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade, organização não
governamental afiliada à Associação Mundial, de Sexologia – WAS;
Diretor da SBRASH – Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana; autor
dos livros "Psicologia e Sexualidade (Editora Medsi) e Objetos do
Desejo (Iglu Editora).
Rua Traipu, 523- Perdizes – 01235-000 – São Paulo – SP – Brasil – Fone/fax (11) 3662-3139

todos artigos publicados

Devido às características de identidade de gênero masculino
ou feminino, alguns comportamentos compulsivos são mais notáveis em
homens e outros em mulheres. As mulheres, devido à valorização social
de uma identidade feminina "romântica", mostrar-se-ão mais compulsivas
quando sexo se associa a amor e paixão, menos genitalizado. Em são
Paulo, vislumbrando esta condição criou-se o MADA – Mulheres que Amam
Demais Anônimas.

A compulsividade sexual feminina associa-se mais a situações de amor e
assim, passa mais desapercebida enquanto compulsão sexual. O
comportamento social feminino não permite que a mulher se exponha
apenas nos conteúdos sexuais de sua compulsão, assimilando o "amor", e
isto não é amor (parodiando o livro mais famoso da década sobre o
assunto…).

Alguns pontos para considerarmos relacionados ao comportamento sexual
compulsivo (baseados nos pontos utilizados pelo DASA – Dependentes de
Amor e Sexo Anônimos, a quem consideramos em alta estima e cuja
atividade valorizamos):

1- Você se acha incapaz de deixar de ver uma pessoa específica, mesmo
sabendo que encontrá-la é destrutivo para você? Trata-se de um
comportamento irracional, este autodestrutivo. Muitas pessoas
defendem-se afirmando estarem apaixonadas, mas o que tem em verdade é a
compulsão, uma sensação forte contra a qual é incapaz de lutar e que
irracionalmente buscará justificar de todas as maneiras. A
autodestruição aparenta ser mais importante do que a construção de
relacionamentos que tragam, além da satisfação sexual, o bem estar
social e pessoal.

2- Você faz ou fez sexo com alguém com quem não queria fazer? Sexo é
resultado de desejo sexual. Fazer sexo sem vontade de fazê-lo torna-se
uma forma de autodestruir-se, é irracional e não deverá trazer prazer à
pessoa. Nossa cultura faz apologia de vários momentos de sexo sem
desejo, a exemplo de muitas mulheres que acatam fazer sexo porque o
marido assim o deseja ou porque é assim mesmo que as coisas são…

3- Você já sentiu que tinha que fazer sexo? Muitas mulheres podem Ter
passado por tal situação. O namorado pedia e pedia, porque queria e ela
acede porque parece "certo", tem que ser assim, torna-se obrigação
fazer sexo. Quando a outra pessoa reclama pela falta de sexo e então
vem uma sensação que não fazer sexo é como uma quebra de contrato.
Muitas vezes o casamento, enquanto instituição social, traz esta
obrigação facilitando o caminho do desenvolvimento de comportamentos
sem controle e desassociados do desejo sexual, associando-o à
diminuição das ansiedades.

4- Você tem uma lista, escrita ou não, dos parceiros sexuais que teve?
Pessoas compulsivas tendem a ser mais "organizadas" que as outras. A
construção de uma lista de parcerias sexuais é uma maneira de expressão
dos comportamentos compulsivos. Isto não significa, que isoladamente,
fazer uma lista das pessoas com quem nos relacionamentos no passado nos
torne compulsivos… Mas este é um sintoma expressivo das condições
psicológicas.

5- Você perdeu a conta dos parceiros sexuais que teve? A totalidade das
prostitutas não deve conseguir manter a conta ou lembrarem-se das
pessoas com quem fizeram sexo, e isto não faz delas compulsivas
sexuais. Mas termos experiências sexuais com um número de pessoas de
quem já não nos lembramos nos faz crer que elas não tiveram importância
em nosso trajeto de vida, não ficaram marcadas em nossa memória… Este
é um aspecto da identidade masculina muito comum e considerada normal
pelos homens em nossa cultura…

6- Você faz ou fez sexo apesar das conseqüências (o risco de ser
descoberta, ou contrair gonorréia ou AIDS?) Muitas pessoas ainda fazem
sexo de modo irracional, não se importando com as conseqüências. Um
exemplo são moças que não se incomodam em engravidarem (talvez até o
desejem, mesmo conhecendo que não terão como cuidar da criança, não
terem emprego, não terem como sustentar-se…). Homens que se
justificam "fazer sexo com camisinha é igual chupar bala com papel"…
A ansiedade conduz a fazer sexo, sem que qualquer atitude racional seja
guia do comportamento.

7- Você sente que seu único (ou principal) valor num relacionamento é
seu desempenho sexual ou habilidade para dar apoio emocional? Uma
grande parte dos homens sobrevaloriza o desempenho sexual, assunto
preferido das rodinhas masculinas, onde quem conta mais vantagens
sente-se superior aos outros. Um relacionamento também tem limites e
dificuldades que precisam ser superadas. Um comportamento compulsivo
não permite administrar estes limites, produzindo mais problemas de
ordem sexual. Novamente, temos a cultura favorecendo o desenvolvimento
de comportamento sexual compulsivo, apenas necessitando de uma mão da
própria pessoa em não perceber suas limitações e justificar-se
valorativamente de modo irracional.

8- Você já ameaçou sua estabilidade financeira ou posição na sociedade
ao manter um parceiro sexual? A busca de sexo de modo compulsivo pode
atrapalhar as atividades de trabalho conduzindo a dificuldades
financeiras por competir com trabalho. Saídas em meio ao expediente,
especialmente quando em horários não compatíveis ou em meio a
importantes atividades são atitudes que desenvolvem-se exponencialmente
nas pessoas com tendências a comportamentos compulsivos.

9- Você está com dificuldades de se concentrar em outras áreas de sua
vida por causa de pensamentos ou sentimentos relacionados a alguém ou
sexo? Quando pensamentos automáticos compulsivos sobre sexo e emoções
ocorrem, muito pouco tempo interno sobrevive no espaço mental de uma
pessoa. Assim todas as outras áreas são desprezadas e aqueles
pensamentos não permitem que se disponha de tempo para organizarem-se
as outra áreas do cotidiano. A família, estudos, religião, amigos, vida
social, lazer, esportes, saúde… tudo fica em segundo lugar,
desprezado e sem chances de execução no cotidiano.

10- Você já desejou poder parar ou controlar suas atividades amorosas e
sexuais por um determinado período de tempo? Já desejou ser menos
dependente emocionalmente? A condição de dependência é uma dos aspectos
da compulsão. Não conseguir determinar com quem se pode fazer sexo ou
com quem se pode viver, colocando-se na condição de dependência, de
condicional, faz da pessoa escrava de seus relacionamentos e não
decidindo sobre o que fazer, quando e com quem… O amor, tão
valorizado em nossa cultura de Romeu e Julieta, muitas vezes é a
expressão da compulsão, onde a dependência se instala e a pessoa
(geralmente mulher) sofre ao longo de meses e anos, sempre colocando a
culpa na outra pessoa que não lhe dá atenção…

11- Você sente que sua vida está ingovernável por causa de seu
comportamento sexual e/ou amoroso por de suas excessivas necessidades
dependentes? Um fator muito importante na vida individual das pessoas é
a construção de um projeto de vida que conduza os comportamentos e nos
leve a poder vivermos muitos anos e que cuide par que não tenhamos
problemas que nos impeçam de viver todas as décadas a que temos
direito. Se algo interfere neste caminho trata-se de algo irracional e
contrário ao nos mantermos vivos. O comportamento compulsivo, sexual ou
não, interfere com a racionalidade e a manutenção de nossas vidas de
modo satisfatório. A sensação de ingovernabilidade sobre a própria vida
é um sinal importante de que não estamos agindo como adultos, mas como
crianças que necessitam de guia e cuidados por parte de outras
pessoas…

12- Você já pensou que poderia fazer coisas na sua vida se não fosse
tão guiada pela busca sexual e amorosa? Quando pensamos em nossa vida e
percebemos que existem mais coisas a se fazer do que estamos cumprindo
e isto se deve a gastarmos muito tempo com uma única atividade,
significa que estamos fazendo algo compulsivamente… Os sonhos sobre
tantas coisas em nossa vida são atormentados pela sensação de que se
não buscarmos fazer sexo algo de ruim nos acontecerá… E assim
deixamos de fazer coisas que poderiam ser maravilhosas e satisfatórias.
É por situações assim que afirmamos que o comportamento sexual
compulsivo é destrutivo.

Anúncios

Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
Esse post foi publicado em Saúde e bem-estar. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s