Namoro tem prazo de validade – Entrevista Alexandre Bez

Namoro tem prazo de validade?

Publicado em 08/06/2008

Entrevista com Alexandre Bez – psicólogo

Por que você afirma que namoro tem prazo de validade? Como chegou ao número limite de três anos?

O
namoro tende a se desgastar principalmente quando uma das partes tem o
intuito de ter uma relação mais profunda, como o casamento. O namoro
não pode entrar na fase de acomodação, que se dá quando um dos dois,
geralmente o homem, fica desleixado. Deixa de ser carinhoso, atencioso
e educado. Não sente a necessidade de impressionar, não se preocupa em
satisfazer a namorada e quase sempre a freqüência das relações sexuais
diminui.

O limite de três anos foi determinado pelos próprios casais que
passaram pelo meu consultório e pela observação que fiz de conversas
entre outros casais. Claro que este “prazo” não vale para namoro entre
adolescentes, já que os mesmos não estão preparados para a vida adulta.
O período foi calculado para quem já tenha terminado os seus estudos e
esteja estabelecido financeiramente.

Se passado esse período de três anos, não houver interesse de uma das partes em dar o próximo passo, o que fazer?

A decisão a ser tomada vai depender do interesse das partes
envolvidas. Não é possível estabelecer uma única solução, já que o que
importa é a dinâmica do casal e isso não pode ser generalizado.

O segredo de qualquer relacionamento é a conversa. Quanto mais o
tempo passa, mais o desgaste é certo e, para evitá-lo, o diálogo é o
caminho mais curto. O problema é que o diálogo não é praticado pela
maioria dos casais e a paciência, que já é escassa, tende a se esgotar
ainda mais. O desgaste pode ser irreversível para alguns casais.

Hoje em dia parece não haver muita diferença entre morar
junto e o casar. São compromissos com pesos diferentes? Qual a
diferença?

A diferença já começa pela própria nomenclatura e pelos termos da
lei, além do peso emocional sobre as pessoas. O morar junto, para
muitos, é considerado um relacionamento menos sério e mais light. Uma
percepção falsa, já que muitas uniões estáveis causam mais problemas do
que o próprio casamento. Morar junto funciona como um test-drive, mas
não é produtivo como relação eterna. Pode dar ao parceiro uma certa
sensação de liberdade, de que não existe um compromisso com a outra
pessoa, o que é completamente equivocado. Dois anos são ideais para
viver a experiência.

Por que morar junto é importante antes do casamento? Quais os benefícios e as desvantagens?

Morar junto antes de casar é extremamente importante porque promove
o conhecimento mútuo e acaba com algumas ilusões sobre o
relacionamento. O casal permanece mais tempo no campo da realidade.
Viver sob o mesmo teto permite enxergar condutas diárias que podem ser
responsáveis pelo desgaste e pelos desentendimentos. Passa-se a
trabalhar melhor a relação e a observar a postura do outro.
Desvantagem? Não tem, exceto a possibilidade de não dar certo. Mas é
melhor terminar antes de casar do que depois. Pois não podemos esquecer
que o término de um casamento – mesmo quando necessário – causa muito
mais sofrimento.

Quais são as maiores desculpas que os parceiros inventam para fugir do casamento?

Varia de acordo com a criatividade. Geralmente, o homem, quando não
quer mais, inventa desculpas de todos os tipos. Já a mulher,
simplesmente termina.

Quais são os motivos que levam homens e mulheres a não querer se comprometer mais seriamente com alguém?

Acomodação, medo de sofrer, trauma, imaturidade.

Por que é mais difícil para o homem do que para a mulher?

Pela própria cultura, postura e personalidade. A mulher nasce e já é
preparada para casar e ter filhos. O homem quer aproveitar a vida e tem
medo de perder a liberdade.

Qual a diferença dos casamentos de hoje para os casamentos de nossos pais e avós?

Antigamente havia mais compreensão e principalmente paciência. Hoje
em dia, qualquer problema é motivo para a separação. Além disso, no
tempo dos nossos avós, era comum as pessoas se casarem por casar, sem
amor ou paixão
.

Você diz que a idade ideal para o homem casar é perto dos 30
anos e que a mulher já está preparada para se comprometer aos 21. Essa
diferença de idade não é muito grande? Será que as mulheres de hoje
estão tão preparadas para o casamento assim? Geralmente elas ainda
estão estudando, não trabalham, são dependentes dos pais…

A mulher amadurece muito mais rápido, a diferença é de anos-luz. Na
maioria das vezes, após os 21 anos, a mulher já é madura, mas o homem
ainda está passando pela adolescência. Com 20 e poucos anos, ela já
sabe o que quer, dependendo de sua estrutura de caráter. O homem antes
dos 30 é imaturo, ainda precisa passar por inúmeras experiências até
estar pronto e entra na casa da faixa da exigência. Cheguei a essa
conclusão por observar as mulheres nos Estados Unidos. As americanas
vão morar sozinhas cedo, conseguem se manter sozinhas e são muito
determinadas. Embora as brasileiras também tenham condições de
desenvolver esse nível de maturidade, é preciso levar em conta que a
realidade do nosso país é diferente, o acesso à educação e emprego é
mais difícil. Na Psicologia, nada é regra, mas sim um apanhado de
excessões. Portanto, também é certo dizer que, existem muitas meninas
na faixa dos 20 anos que ainda não estão prontas para se relacionar e,
neste caso, é natural que os homens de 30 procurem mulheres mais
maduras.

Como surgiu a necessidade de “ficar” com alguém? E qual a diferença entre o ficar de 20 anos atrás para o ficar de hoje?

Há 20 anos, as pessoas ficavam para se conhecer melhor, era como um
treinamento para o namoro. Você ficava com alguém sem compromisso, mas
com algum objetivo, sabia quem estava beijando. Este tipo de ficar
ainda é comum nos dias de hoje, entre homens e mulheres mais velhos (30
a 50 anos), que se separaram recentemente e que estão buscando novos
parceiros. Já os adolescentes de hoje ficam para contar vantagem, o que
não é nada produtivo. Está faltando discernimento entre o que é
liberdade e libertinagem. O ficar inconseqüente pode ser fonte de muito
sofrimento e instabilidade emocional.

Você afirma que muitos casais mais maduros optam por viver
em casas separadas e que este arranjo não é saudável para o casamento.
Por que?

Quem mora em casas separadas não vivencia um casamento de verdade,
vive a fantasia de algo que não existe. Casamento é muito mais do que
uma aliança na mão esquerda. Envolve convivência, divisão de
responsabilidades, cumplicidade e muito mais.

Que medidas e atitudes podem ser tomadas para preservar um bom relacionamento?

É preciso aprender a compartilhar tanto as alegrias e os sonhos,
quanto os problemas e as angústias, procurar compreender e respeitar o
espaço do outro e conversar muito sobre os conflitos e as possíveis
soluções.

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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