Superar rejeição amorosa equivale a vencer um vício, diz estudo

Superar rejeição amorosa equivale a vencer um vício, diz estudo

Mecanismo no cérebro de compensação é ativado quando sofremos por amor

Por Minha Vida
Publicado em 7/7/2010

Pessoas que sofrem muito por um amor
não correspondido ou uma relação que chegou ao fim podem se apegar
agora a uma explicação biológica. Uma nova pesquisa feita pela Rutgers
University, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, sugere que a rejeição
de uma amante pode ser semelhante a ter de se livrar de um vício. O
estudo, publicado na edição de julho do Journal of Neurophysiology, é
um dos primeiros a examinar o cérebro de pessoas que tiveram o "coração
partido" recentemente e que têm dificuldade para superar o seu
relacionamento.

Os pesquisadores estudaram o cérebro de 15 voluntários (10
mulheres e 5 homens) com idade universitária e que tinham terminado um
relacionamento, mas que ainda amavam a pessoa que os havia rejeitado. A
duração média das relações era de cerca de dois anos, sendo que dois
meses haviam se passado, em média, desde o rompimento dos
relacionamentos. Todos os participantes tiveram altas pontuações em um
questionário que psicólogos utilizam para medir a intensidade dos
sentimentos românticos. Os participantes também disseram ter gasto mais
de 85% de suas horas acordados pensando em quem os rejeitou.

Após a varredura, os cientistas descobriram que, enquanto
olham para as fotografias dos antigos parceiros, homens e mulheres com
o coração partido têm ativadas as regiões cerebrais associadas com
recompensa, ânsia do vício, controle das emoções e sentimentos de
apego, dor física e angústia. Esses resultados fornecem respostas sobre
os motivos pelos quais pode ser muito difícil para alguns superar uma
ruptura e porque, em alguns casos, as pessoas são levadas a cometer
atos extremos, como perseguições e homicídios, depois de perder o amor.

"O amor romântico é um vício", disse a autora da pesquisa
Helen E. Fisher, antropóloga biológica. "É um vício muito poderoso e
maravilhoso, quando as coisas estão indo bem e um vício horrível quando
as coisas estão indo mal", disse ela.  

Os
pesquisadores desconfiam que a resposta do cérebro à rejeição romântica
possa ter uma base evolutiva. "Provavelmente os circuitos do cérebro
para o amor romântico desenvolveram-se há milhões de anos para permitir
que os nossos antepassados concentrassem sua energia de acoplamento em
apenas uma pessoa por um tempo e iniciar o processo de acasalamento",
acredita a pesquisadora. "E quando você é rejeitado no amor, é como se
perdesse o maior prêmio da vida, ou seja, um parceiro para o
acasalamento". Segunda Fisher, este sistema do cérebro é ativado para
ajudar ao rejeitado a tentar conquistar a pessoa de volta, para que se
concentre nela e tente recuperá-la. 

Tempo é solução

A
notícia boa é que a velha máxima do "tempo é o melhor remédio" também
vale para as pessoas romanticamente rejeitadas. Os pesquisadores
observaram que quanto mais o tempo tinha passado desde a separação,
menor atividade havia em uma região do cérebro associada ao prazer e à
recompensa.


As áreas do cérebro envolvidas na regulação da
emoção, a tomada de decisão e avaliação também foram ativadas quando os
participantes viram a foto do seu ex-amor. "Isto sugere que os
participantes estavam aprendendo a partir de sua experiência romântica
passada, avaliando os seus ganhos e perdas e descobrindo como lidar com
a situação", disse Fisher.

Estes resultados sugerem que falar sobre sua experiência, ao
invés de simplesmente "curtir" o sofrimento, pode ter benefícios
terapêuticos para o apaixonado. "Parece ser saudável para o cérebro, ao
invés de apenas ficar nadando em desespero, pensar sobre a situação de
forma mais ativa e tentar trabalhar uma forma de lidar com isso",
explica Fisher.  

Grandes expectativas, grandes solavancos

Quer
dizer que não estamos preparados para viver frustrações no amor? Que
sofrer demais não é normal? E onde começa essa dor que parece não ter
fim? Dá para dizer que a grande vilã do processo é a expectativa, e,
quanto maior ela for, é fato, maior será o tombo. Mas não tem como
fugir dessa preparação para algo que ainda está por vir. "Desde a
infância, vivemos uma formação de expectativas. Começar na escola,
passar no vestibular, se formar, arrumar um emprego…", explica o
psicoterapeuta Chris Allmeida. "O erro é tentar reproduzir esse
comportamento nas relações humanas – esperar algo ou prever o
comportamento do outro", diz.

E, não tem jeito, em muitas ocasiões é inevitável gerar
expectativas. Mas se uma relação acabou, o melhor remédio é sacudir a
poeira e seguir em frente. Parte desse exercício de sanidade mental é
entender que as decepções,
maiores ou menores, são um efeito colateral da vida, mas também passa
por ter uma visão menos egocêntrica e mais humilde da própria
existência a de que mundo não gira só ao nosso redor. "É importante
adaptar os desejos à realidade, mas compreender que nem sempre isso
será possível", fala o psicoterapeuta. 

Tristeza fora do comum

Mas
como avaliar se sofremos com discernimento? De acordo com o
psicoterapeuta Chris Allmeida, o normal é que o sofrimento provocado
por uma desilusão tenha um pico nas primeiras 24 horas e nos dias
seguintes comece a decair. "Ficar triste não é uma doença, mas a
manutenção da tristeza e de abandono merece ser estudado", avalia. "É a
lamúria e a lamentação que alimentam a decepção", diz o especialista.
Os indivíduos que estão passando por esse tipo de alteração emocional
apresentam sinais que fazem parecer que a vida estivesse acabado após
sofrer a mágoa. São os chamados sintomas de definhamento", quando a
pessoa entra em um processo externo de autodestruição: fica isolada
socialmente; come exageradamente ou não se alimenta; fica depressiva e
relaxada com a sua própria higiene.

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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