Síndrome de Burnout

Síndrome de Burnout

Incluído em 21/02/2005

A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como
uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional, e
se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa
de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a
quase tudo e todos (até como defesa emocional).

O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior,
sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física
e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.

Essa síndrome se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional
com predileção para profissionais que mantêm uma relação
constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade
é considerada de ajuda (médicos, enfermeiros, professores).

Outros autores, entretanto, julgam a Síndrome de Burnout algo diferente
do estresse genérico. Para nós, de modo geral, vamos considerar
esse quadro de apatia extrema e desinteresse, não como sinônimo
de algum tipo de estresse, mas como uma de suas conseqüências bastante
sérias.

De fato, esta síndrome foi observada, originalmente, em profissões
predominantemente relacionadas a um contacto interpessoal mais exigente, tais
como médicos, psicanalistas, carcereiros, assistentes sociais, comerciários,
professores, atendentes públicos, enfermeiros, funcionários de
departamento pessoal, telemarketing e bombeiros. Hoje, entretanto, as observações
já se estendem a todos profissionais que interagem de forma ativa com
pessoas, que cuidam e/ou solucionam problemas de outras pessoas, que obedecem
técnicas e métodos mais exigentes, fazendo parte de organizações
de trabalho submetidas à avaliações.

Definida como uma reação à tensão emocional crônica
gerada a partir do contato direto, excessivo e estressante com o trabalho, essa
doença faz com que a pessoa perca a maior parte do interesse em sua relação
com o trabalho, de forma que as coisas deixam de ter importância e qualquer
esforço pessoal passa a parecer inútil.

Entre os fatores aparentemente associados ao desenvolvimento da Síndrome
de Burnout está a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas
de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou
clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação
e falta de cooperação da equipe.

Os autores que defendem a Síndrome de Burnout como sendo diferente do
estresse, alegam que esta doença envolve atitudes e condutas negativas
com relação aos usuários, clientes, organização
e trabalho, enquanto o estresse apareceria mais como um esgotamento pessoal
com interferência na vida do sujeito e não necessariamente na sua
relação com o trabalho. Entretanto, pessoalmente, julgamos que
essa Síndrome de Burnout seria a conseqüência mais depressiva
do estresse desencadeado pelo trabalho.

Os sintomas básicos dessa síndrome seriam, inicialmente, uma
exaustão emocional onde a pessoa sente que não pode mais dar nada
de si mesma. Em seguida desenvolve sentimentos e atitudes muito negativas, como
por exemplo, um certo cinismo na relação com as pessoas do seu
trabalho e aparente insensibilidade afetiva.

Finalmente o paciente manifesta sentimentos de falta de realização
pessoal no trabalho, afetando sobremaneira a eficiência e habilidade para
realização de tarefas e de adequar-se à organização.

Esta síndrome é o resultado do estresse emocional incrementado
na interação com outras pessoas. Algo diferente do estresse genérico,
a Síndrome de Burnout geralmente incorpora sentimentos de fracasso. Seus
principais indicadores são: cansaço emocional, despersonalização
e falta de realização pessoal.

Quadro Clínico
O quadro clínico da Síndrome de Burnout costuma obedecer a
seguinte sintomatologia:

1. Esgotamento emocional, com diminuição e perda de recursos
emocionais
2. Despersonalização ou desumanização, que consiste
no desenvolvimento de atitudes negativas, de insensibilidade ou de cinismo
para com outras pessoas no trabalho ou no serviço prestado.
3. Sintomas físicos de estresse, tais como cansaço e mal estar
geral.
4. Manifestações emocionais do tipo: falta de realização
pessoal, tendências a avaliar o próprio trabalho de forma negativa,
vivências de insuficiência profissional, sentimentos de vazio,
esgotamento, fracasso, impotência, baixa autoestima.
5. É freqüente irritabilidade, inquietude, dificuldade para a
concentração, baixa tolerância à frustração,
comportamento paranóides e/ou agressivos para com os clientes, companheiros
e para com a própria família.
6. Manifestações físicas: Como qualquer tipo de estresse,
a Síndrome de Burnout pode resultar em Transtornos Psicossomáticos.
Estes, normalmente se referem à fadiga crônica, freqüentes
dores de cabeça, problemas com o sono, úlceras digestivas, hipertensão
arterial, taquiarritmias, e outras desordens gastrintestinais, perda de peso,
dores musculares e de coluna, alergias, etc.
7. Manifestações comportamentais: probabilidade de condutas
aditivas e evitativas, consumo aumentado de café, álcool, fármacos
e drogas ilegais, absenteísmo, baixo rendimento pessoal, distanciamento
afetivo dos clientes e companheiros como forma de proteção do
ego, aborrecimento constante, atitude cínica, impaciência e irritabilidade,
sentimento de onipotência, desorientação, incapacidade
de concentração, sentimentos depressivos, freqüentes conflitos
interpessoais no ambiente de trabalho e dentro da própria família.

Apesar de não ser possível estabelecer uma fórmula mágica
ou regra para análise do estresse no trabalho devido a grande diversidade
entre as empresas, vejamos agora algumas situações mais comumente
relacionadas ao estresse no trabalho, de um modo geral.

Considera-se a Síndrome Burnout como provável responsável
pela desmotivação que sofrem os profissionais da saúde
atualmente. Isso sugere a possibilidade de que esta síndrome esteja implicada
nas elevadas taxas de absenteísmo ocupacional que apresentam esses profissionais.

Segundo pesquisas (Martínez), a epidemiologia da Síndrome de
Burnout tem aspectos bastante curiosos. Seu detalhado trabalho mostrou que os
primeiros anos da carreira profissional profissional seriam mais vulneráveis
ao desenvolvimento da síndrome.

Há uma preponderância do transtorno nas mulheres, possivelmente
devido à dupla carga de trabalho que concilia a prática profissional
e a tarefa familiar. Com relação ao estado civil, tem-se associado
a síndrome mais com as pessoas sem parceiro estável.

para referir:
Ballone GJ Síndrome de Burnout – in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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