Decisões – Sandra Maia

Por Sandra Maia . 21.09.10 – 10h49

Decisões

O
que está por trás das relações em que um dá muito e outro muito pouco?
Esse é tema da semana. E, para ilustrá-lo, valem umas poucas histórias…
Há outros tantos modelos e dinâmicas, mas fica para outro dia!

Antes de começar, vale
ressaltar que toda escolha tem como base uma decisão formatada em cima
de uma crença errônea. Aquela que trazemos da infância e que, se não
“resignificadas” ao longo da vida, nos fazem repetir e repetir o mesmo
padrão de comportamento indefinidamente, as mesmas escolhas.

Por isso, não é fácil
transformar um padrão, mudar uma crença ou decisão. Isso depende de
autoconhecimento, força e, é claro, ajuda externa. Vamos ver a seguir o
que pode uma pessoa quando decide, por algum motivo, fazer tudo
sozinha. Tudo do seu jeito, da sua maneira.

A primeira medida é afastar-se
daqueles que a amam – sim, porque esses não a deixarão em “paz”. A
segunda é ligar-se a pessoas que dificilmente têm amor para dar… E vale
aqui atenção: os jogos mentais que fazemos e a teia em que nos metemos
são pura ilusão. Tanta que escolhemos viver para um outro “egoísta”,
abandonando-nos e deixando de lado família, amigos, etc, como se a
decisão de fazer tudo sozinho já não bastasse para uma vida de
sofrimento…

Solidão
E, então, além de relações complexas, condenamo-nos a um destino triste
e solitário. O viver só, nesse caso, frustra, machuca, tira a paz. Essa
decisão não nos deixa pertencer a grupos, não nos permite procurar ou
aceitar ajuda… Seguimos com uma única certeza: “Dessa vez vai dar
certo”…

A questão é que não dá! Não dá para mudar o resultado se não mudarmos a ação, a atitude, a escolha, a decisão, a crença!
Enfim, vamos às histórias com a decisão de PERMANECER SÓ! De coração,
espero que possa ajudá-lo a encontrar um caminho melhor e mais leve. Um
caminho de amor e união. União consigo, com o outro, com os outros.

Pedro e Juliana
A história de Pedro possuía como base a escolha: AMAR O OUTRO MUITO
MAIS DO QUE A SI MESMO. Ele amava compulsivamente Juliana e, por isso,
deixava de lado tudo o que precisava. Com cada sobra do salário no fim
do mês comprava uma demonstração de carinho para a Ju. Vivia para ela.
Tudo o que pensava era fazê-la feliz.

Casaram-se e ele cuidou para
que ela estudasse e assim o acompanhasse. Cuidou da casa, dos planos de
crescimento dos dois, tudo… Fez tudo para que a vida a dois
florescesse. Tudo para que a união desse certo. Fez tudo por tanto
tempo, que deixou de olhar para a companheira. Fazia do seu modo. Fez
tanto, que, um dia, a Juliana se foi.

Ela não conseguia corresponder a tanta dedicação. Sentia-se acuada, sem espaço, não tinha como amá-lo de volta.

Joyce e Lúcio
A outra história é da Joyce. Ela havia feito outra escolha: CONTROLAR A
TUDO E A TODOS que chegassem à sua vida, esperando, dessa forma,
controlar sua paz, seu amor, sua felicidade, seu tempo. E, então, Lúcio
apareceu. Jovem, bem sucedido, tinha um único problema: bebia. Mas,
apesar do vício, Joyce acreditava que o seu “amor” poderia fazê-lo mais
e melhor do que realmente era ou podia…

Enfim, não podia. Lúcio se
afundava cada vez mais no vício e Joyce cada vez mais no controle.
Vivia para ele. Deixara de lado praticamente tudo para, com toda a
onipotência que lhe cabia, fazê-lo mudar… Bem, ele não mudou. E Joyce,
à beira do abismo, o perdeu.

A dor dessa perda foi tamanha
que quase enlouqueceu. Afinal, dera tudo a ele, fizera tudo por ele e,
ainda assim, ele se fora… O que havia dado errado? Fácil para quem está
do lado de fora entender que não poderia dar certo… Difícil para quem
está dentro…

Mary e Marcos
Bem, vou falar agora da Mary. Ela tinha escolhido SER A MAIS BOAZINHA
DAS MULHERES na face da Terra pensando, assim, encontrar a felicidade.
E, então, para que pudesse comprovar sua escolha, encontrou Marcos. Ele
era terrível. Estava mais para “mauzinho” do que qualquer outra coisa.
E a vida dos dois correu assim.

Mary sempre aos prantos – para
as amigas, o terapeuta, os colegas de trabalho, contando suas
desventuras em série com o escolhido. Não, ao contrário do que você
pensa, ela não buscava ajuda – esses rompantes de vítima serviam para
lhe aliviar um pouco a alma e lhe dar forças para que pudesse, ao
reencontrá-lo, estar pronta para mais uns dias de amor e dor.

Ela segurava todas as ondas e
se mostrava praticamente inalterada. Para ele, não havia tempo ruim.
Ela estava pronta e disponível! Estava sempre linda e doce. Ele
tripudiava, arrasava com ela. Mentia, saia com outras, esquecia-se dos
horários, dos compromissos combinados, não dava satisfação, nada! E
ela, bom, ela mantinha sua escolha de ser a “boazinha” a companheira
ideal e, dessa forma, colocava tudo a perder.

Marcos, depois de um tempo, se
cansou dessa vida. Encontrou outra que lhe era totalmente indiferente e
se apaixonou. Também não ficou com ela… Aliás, ele era homem de muitas
mulheres e de nenhuma… Hoje, enquanto Mary chora a perda, ele corre
atrás da outras…

Então você pode me perguntar:
só há histórias tristes? Não, há muitas histórias com final feliz.
Todas com crenças diferentes da que coloquei a você no inicio do texto:
fazer tudo sozinho. A vida, como sempre afirmo, demanda caminhar e,
nesse caminhar, aprender.

Toda vez que negamos nossas
dificuldades e fazemos de conta de que sabemos fazer diferente,
mergulhamos ainda mais no engano e também no padrão do erro. Vícios de
comportamento são difíceis de mudar. Demandam primeiro saber que ele
existe, depois, conscientemente, buscar ajuda para compreender o que
gerou a crença, o que nos fez decidir por essa ou aquela escolha.

Escolhas, sempre escolhas…

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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