História das Psicoterapias e da Psicanálise

História das Psicoterapias e da Psicanálise (A teoria freudiana de libido e da sexualidade, Os desvios sexuais)
por Nelson Valente

1) Explicando a etiologia ou causa das neuroses, Freud a colocou,
como sabemos, nas tendências ou atividades sexuais infantis de cuja
lembrança recalcada, pelo fato de ser vergonhosa, são originadas. E da
confusão dos escritos freudianos podemos resumir o seguinte:

Todo ser humano traz em si desde o nascimento uma força motriz ou
"impulso criador", cujo fim é assegurar a expansão e a perpetuação do
ser, no espaço e no tempo. Essa força inicial, instintiva e impulsiva,
logo se sexualiza e se converte em energia sexual, Freud lhe deu o nome
de LIBIDO, termo usado primeiramente por Cícero para significar "uma
tendência apetitiva para qualquer bem futuro". Freud a considerava sob
quatro aspectos diversos:

a)Como uma energia, construtiva ou destrutiva, quantitativa e
físico-psíquica, inicialmente indiferenciada e generalizada, capaz,
mais tarde, de sexualizar-se em determinados casos e fixar-se em
determinados órgãos.

b)Como uma tendência ou necessidade de satisfação afetiva ou amor geral e indiferenciado, que aos poucos vai se convertendo em sexual ou libidinoso.

c)Como a própria atividade sexual, propiciadora da satisfação dessa tendência-necessidade.

d)E como o prazer específico ou nota qualitativa de agradabilidade que acompanha as atividades sexuais e que poderá motivá-las, mas não causá-las.

Mais tarde utilizou o termo EROS como expressão dos instintos libidinosos e sexuais. Daí que erotizar
se considerasse sinônimo de sexualidade. Segundo ele qualquer parte ou
órgão do corpo pode ser erotizada ou sexualizada, como acontece com a
boca, o anus, etc., a ponto de substituir o verdadeiro órgão.

Considerou ainda a libido como subjetiva ou interna, quando reside no próprio indivíduo e como externa ou objetiva, quando se refere a pessoas ou coisas exteriores; objetal quando se refere a coisas ou objetos, e pessoal, quando a pessoas.

Neste sentido a libido foi estendida por Freud e seus
discípulos a tudo o que existe e tem relação com o ser humano, já seja
bom ou mau, construtivo ou destrutivo, num pansexualismo de origem
inconsciente, nada sobrando para o nobre consciente, característica precípua que distingue o ser humano e racional dos animais irracionais.

2) Freud considerou o desenvolvimento normal da libido —sexualidade
em três períodos e em seis etapas ou fases diferentes, em cujo percurso
poderiam surgir vários defeitos ou desvios considerados como anormalidades, devidas geralmente à má educação familiar e social, principalmente, em ambientes excessivamente repressivos.

O primeiro período com três fases diversas abrange toda a primeira
infância desde o nascimento até os cinco anos aproximadamente.
Caracteriza-se pelo início do crescimento e aprendizado, e nele
observou Freud várias experiências ou atividades libidinosas ou
sexuais, impropriamente ditas ou não genitais.

a) A primeira fase ou "fase oral", vai desde o nascimento até perto dos dois anos, se caracteriza por certa passividade receptiva,
e nela se desenvolvem as atividades nutricional, educativa e lúdica.
Durante esta fase a libido-prazer se manifesta principalmente através
da boca, onde se situa todo o prazer da criança, especialmente pelo ato
da mamação e do uso da chupeta.

Por supor, a repetição dos atos deve criar o reflexo condicionado
de Pavlov e com ele uma tendência, necessidade ou hábito de se
satisfazer prazeirosamente, o que vai muito além da simples satisfação
alimentícia. De fato, se de início a criança se satisfaz mamando, logo
a seguir se satisfaz igualmente apenas pela sucção da "chupeta" ou dos
próprios dedos. Isto, e a forma especial do movimento de sucção, de avanço e retrocesso, levou Freud a considerar esta atividade e prazer como libidinosos e muitos psicanalistas com ele a consideraram como onanismo dos lactentes.
Mas os psicanalistas de hoje, principalmente os culturalistas, tendem a
dar muito mais ênfase ao prazer e à atividade lúdica que nada têm de
libidinosos.

b) A segunda fase é chamada de "fase anal", tem lugar entre
os dois e três anos e se caracteriza por certa atividade pronunciada,
na luta pela experimentação e auto-afirmação. Durante esta fase, surgem
abundantes momentos e formas de irritabilidade, devida aos próprios
fracassos em seu aprendizado, às contrariedades e repressões dos
maiores, e a luta encetada entre a criança e a mãe por causa da
higiene. Devido a isso aparece na criança certa espécie de "pirraça"
destrutiva com caracteres vingativos a que Freud e os psicanalistas chamam de sadismo.

Desviando sua atenção do brinquedo cada vez mais acentuado na
criança dessa idade e do crescente prazer que lhe proporciona a
atividade lúdica, Freud descobriu um certo tipo de libido-prazer,
focalizado no ânus e ligado à atividade excretória, ou melhor à
persistência infantil na retenção e manipulação das "fezes", supondo
mais que provando, a existência de um certo erotismo anal muito intenso e um semelhante erotismo uretral pela retenção da urina.

c) A terceira fase ou "fase fálica" abrange o período dos três aos cinco ou seis anos aproximadamente. Caracteriza-se por uma atividade excessiva e por uma igual curiosidade por tudo o que rodeia a criança, onde acima de tudo prevalece a atividade lúdica. Nessa atividade concentra agora seu máximo interesse e dela usufrui o máximo prazer, que muito pouco ou nada tem de libidinoso.

Com a máxima naturalidade, a criança leva nesta época todo o seu interesse e toda a sua curiosidade
para as zonas genitais de si e das pessoas que a rodeiam, querendo
saber tudo a seu respeito. Sente também um grande prazer em ficar e em
ver-se nua, assim como aos outros e em manusear seus órgãos genitais.
Começa a preocupar-se pelas diferenças anatômicas entre os meninos e
meninas e pela forma de seu nascimento. é a hora das infindáveis e
persistentes perguntas que, se não devidamente satisfeitas, causarão as
mais díspares fanta-sias infantis. é a hora em que comumente se geram
os complexos de castração e de culpa, o de inferioridade, o de édipo,
etc., e os medos reais e imaginários começam a tomar conta da criança,
ocasionando ansiedade, angústia e insegurança, que nada mais fazem que
aumentar os medos num círculo vicioso sem fim, fonte das futuras
neuroses.

Segundo Freud, a libido-prazer se estende a todas as zonas do corpo,
fixando-se especialmente na face, no peito e nas zonas glucais, boca,
ânus, etc., saturando os órgãos genitais e provocando sensações tácteis
prazeirosas num remedo antecipado da futura masturbação. A criança
gosta, pois, de exibir e manipular seus órgãos genitais, o que faz
inocentemente e sem malícia. Mas duas coisas podem ocorrer nessa época
que barram e impedem esse desenvolvimento normal da libido: uma iniciação
brutal e prematura por parte dos adultos, que lhe ensinam ou lhe
permitem ver coisas altamente chocantes ou traumáticas, ou uma repressão
excessivamente drástica de seus brinquedos sexuais, ambas capazes de
fixar nas mentes infantis as imagens desses fatos, futuramente
perturbadoras e fonte de neuroses.

é a hora também em que pode desenvolver-se um amor e dependência
excessiva do filho para com a mãe e da filha para com o pai, dando
origem ao complexo de édipo, como veremos.

3) A quarta fase libidinosa surge na criança no período da
segunda infância entre os seis e dez anos aproximadamente. Freud lhe
deu o nome de fase ou período de latência.

é um período de grande atividade lúdica e ginástica, espontânea ou
educativa, que dá à criança grande desenvolvimento físico, ao mesmo
tempo que sua grande curiosidade lhe propicia o aprendizado. é a época
em que se inicia o processo escolar ou, em alguns casos, começa a atividade laboral, coisas que consomem grande parte da energia excedente, não gasta no próprio crescimento.

Daí que a força da libido (prazer sexual) pareça diminuir e aparentemente entra num estado de latência.
Seu interesse pelos órgãos diminui ou se disfarça perante a ação
educativa e repressiva dos adultos. Sua afetividade é dirigida agora
para os colegas de brinquedo, geralmente do mesmo sexo, e seu interesse
se concentra nas atividades lúdicas e escolares.

Em casos excepcionais, pode não registrar-se este período de
latência, tendo como resultado uma perturbação sexual. O convívio com
colegas do mesmo sexo e os maus exemplos podem desenvolver as bases de
um futuro homossexualismo, bem como a prática de uma masturbação exagerada, sendo objeto freqüentemente de sedução e corrupção antecipada por parte dos adultos.

4) A quinta fase libidinosa marca o começo da puberdade que
se inicia com as mudanças hormonais e o ressurgimento da sexualidade,
agora já mais específica e genital, posta ao serviço da procriação. Os
impulsos instintivos são revividos e o instinto sexual deixa de ser
auto-erótico e narcisista, procurando seu objeto próprio, no mundo
exterior e de sexo oposto para alvo de seu amor. O rapaz que amadurece
sadiamente se liberta das influências edipianas, abandona suas
projeções eróticas para com a mãe e se identifica com o pai, igualmente
a mocinha, deixa o pai, e se identifica com a mãe.

Se tudo ocorre normalmente, o adolescente supera esta fase
transitória e entra na sexta fase final, que é a do amadurecimento, e
virilidade adulta.

1) Entendemos por COMPLEXO um conjunto de reflexos, positivos ou negativos, que determinam uma tal classe de comportamento. (Idéias, imagens, pensamentos, sentimentos). Assim, um conjunto de reflexos positivos leva normalmente ao complexo de superioridade e um conjunto de reflexos negativos leva ao de inferioridade. Todavia, o uso da palavra complexo, tem, em Psicanálise, um sentido pejorativo e tratando-se de conjuntos de reflexos positivos, somente se consideram complexos quando anormalmente exagerados.

2) Complexo de culpa: Se origina do sentimento de culpa,
que "nasce da reação psicológica contra impulsos violentos e até
homicidas, agressivos ou pecaminosos". Segundo o grau de irritabilidade
dos estímulos, surgem os reflexos ou reações, que provocam esses impulsos violentos de agressividade. Passada a irritação, sente-se a irracionabilidade desses impulsos e segue-se esse sentimento de ilógica, de estupidez e de culpabilidade. Quando o sentimento de culpa se torna quase permanente, obsessivo e irracional, estamos diante do verdadeiro Complexo de Culpa no sentido patológico ou psicanalítico.

De criança, por exemplo, amamos os pais, mas freqüentemente ficamos
tremendamente irritados contra suas exigências, suas proibições e
atitudes ao ponto de nos revoltarmos contra eles, odiá-los, ou mesmo
agredi-los. Como também os amamos ao mesmo tempo, nos sentimos culpados
de nossas atitudes.

3) Complexo de Castração: O menino em geral se orgulha de possuir um pênis,
que a menina não tem. Esta, por sua vez, pode sentir-se inferiorizada
por não tê-lo. Isto naturalmente, dependendo das conversas que escutar
dos maiores a seu respeito. Por vezes os maiores podem usar de
brincadeira com os meninos, dizendo-lhes que vão cortar o pênis, e as
crianças podem tomá-lo a sério; as meninas podem também pensar que a
elas já lhes foi cortado. Esse medo tornar-se-á, possivelmente,
obsessivo e mais ou menos irracional, em alguns casos, o que constitui
o chamado Complexo de Castração. Em Totem e Tabu, Freud explica como se originaria um complexo de castração inicial e primitivo, nos primórdios da humanidade.

4) Complexo de édipo, no homem, e de Electra na mulher: Durante a primeira infância desenvolve-se nas crianças normalmente um íntimo desejo de imitação e de se comportar como seus pais
e, no caso do menino, especialmente como seu pai. O pai "idealizado" é,
assim, "interiorizado" no Ego da criança como o "Ego ideal", ou
Super-Ego. Freud os considerou como dois aspectos de uma mesma coisa. O
Ego ideal corresponde à parte positiva das perfeições paternas que a
criança se propõe imitar, como dizendo: "Tu deves fazer isto que teu
pai faz". O Super-Ego corresponde a faceta do pai que impede, ameaça e
pune, concluindo "Tu não farás isto, que teu pai não quer e não faz".

Nos primeiros anos, a criança recebe quase tudo da mãe, ama a mãe e se identifica com ela, quase que ignorando
o pai. Mas em certa época, os filhos se dão conta do pai e voltam as
vistas para ele. Em casos de uma boa educação normal (no caso do devido
comportamento dos pais), o filho, sem deixar de amar e admirar a mãe,
terminará identificando-se com o pai, pelo processo antes citado, e a filha, amando e admirando o pai, terminará imitando a mãe e identificando-se com ela.

Freqüentemente, porém, os comportamentos educacionais dos pais podem
fazer com que o filho desenvolva anormalmente acentuadas idéias
negativas do pai e positivas da mãe e vice-versa, a filha: negativas da
mãe e positivas do pai. Por razões pessoais ou sociais, algumas mães
obstentam uma predileção especial pelo filhinho varão e maior
severidade, senão antipatia, para com as filhas: enquanto que os pais
costumam manifestar maior carinho para a filhinha e maior indiferença
para com os filhos. Os pais se sentem mais à vontade quando castigam os
filhos e se tornam mais condescentes e benignos quando devem castigar a
filha. Igualmente as mães desculpam e perdoam com maior facilidade o
filho amado e tratam com maior severidade as filhas. Assim, idéias e
imagens negativas ou positivas da mãe boa e do pai ruim
podem desenvolver-se e fixar-se de maneira extraordinariamente anormal
nos filhos, igual que outra equivalente, pode desenvolver-se nas filhas
a respeito do pai e da mãe ruim. Isto faz com que o
filho forme uma Imago totalmente negativa do bom pai e muito positiva
da mãe, como a filha pode formá-la positiva do pai e negativa da mãe.
Em conseqüência o filho terminará rejeitando o pai e identificando-se com a mãe, ao passo que a filha rejeitará a mãe, identificando-se com o pai.
Nisto consiste o verdadeiro Complexo de édipo no menino e na menina,
que nos adultos, homens e mulheres, acarretará comportamentos
extremamente perniciosos, não só nos declaradamente neuróticos, como
nos que se conservaram com certa normalidade.

Eis algumas das muitas imagens ambivalentes que se podem fixar na mente da criança, determinando a IMAGO total que acabarão formando do pai ou da mãe.

é claro que um núcleo específico dessas imagens positivas ou
negativas tenderá a prevalecer e a fixar-se no inconsciente dinâmico da
criança, constituindo o verdadeiro complexo edipiano, futuramente tanto
mais perturbador, quanto maior o número de imagens negativas; e se uma
eventual relação pai-filha ou mãe-filho de caráter especificamente sexual, e incestuoso, (muito mais comum que a relação filho-mãe ou filha-pai),
tiver lugar, tenderá também a fixar-se resultando tanto mais traumática
e perturbadora, quanto maior tenha sido a quantidade de emoção que a
tenha acompanhado.

Resumindo: o verdadeiro complexo de édipo consiste, no
menino: na rejeição do pai e na identificação com a mãe; e na menina:
na rejeição da mãe e na identificação com o pai. E isto, se alguma vez
tem uma origem de afetividade morbosa de aspecto sexual, na maioria dos
casos, se origina da afetividade defeituosa nascida da falsa educação e
do mau comportamento dos pais

1) Em todas as fases do desenvolvimento da libido, pode
acontecer que tal processo não se efetue normalmente o que dará origem
a uma série de desvios sexuais ou anormalidades, chamadas também de perversões.

A fixação: Pela repetição dos atos, o reflexo condicionado e
o hábito adquirido poderão causar um processo normal de fixação. No
caso da libido, pode ocorrer o fenômeno da fixação do prazer libidinoso
em algum dos focos ou zonas próprios das fases anteriores, a boca, o
ânus, zonas genitais, etc., determinando nos caracteres das
personalidades, marcadas qualidades de comportamento oral, anal,
fálico, etc. Nesta base, Freud desenvolveu um tipo de caracterologia:
pessoas de caráter oral, as que sentem o máximo prazer na boca; os fumadores, os bebedores e os grandes gastrônomos, e sexualmente os cunilingues. De caráter anal, os avarentos, sovinas, ultra-conservadores, etc. bem como os vingativos, médicos e os homossexuais invertidos ou passivos; de caráter fálico, os narcisistas, os egoístas, egocentristas, etc., e os homossexuais ativos.

O mecanismo da fixação é uma das descobertas freudianas mais
brilhantes e preciosas. A fixação seria produzida por experiências
infantis, quer de frustrações ultra-penosas, quer de satisfação intensa
em determinadas zonas corporais. Em situações especialmente difíceis e
tensas a satisfação ou frustração proporcionaria um colorido todo
especial e a criança nunca mais poderia abandonar esse tipo de
atividade infantil, que lhe ocasionou tamanha satisfação ou frustração.
Chupar os dedos, morder as unhas, fumar ou beber exageradamente, em
momentos de aborrecimentos ou tensão nervosa, poderia interpretar-se
como manifestações de fixação à fase de prazer oral, que sentiam ao
serem amamentadas e pelo excessivo uso da chupeta, quando crianças, ao
qual voltam quando se sentem inseguras. O prazer excessivo na
acumulação de riquezas, seria um reflexo de fixação do prazer na
retenção das fezes, na fase anal, bem como certos tipos de constipação
ou prazer intenso no ato da evacuação. Do mesmo modo, algumas formas de
masturbação e de narcisismo poderiam ser consideradas como efeitos de
fixação da zona fálica.

A regressão: Igualmente brilhante foi a descoberta do
mecanismo de regressão feita por Freud. Tem-se notado, na análise dos
neuróticos, que em muitos casos adotam modos de comportamentos e
atitudes correspondentes às que usaram em tempos remotos de fases
passadas. Parece comprovar-se que, ao encontrar obstáculos difíceis de
transpor, durante o desenvolvimento de sua personalidade, escolha a
solução de regredir ou retornar a determinadas formas passadas
de prazeres libidinosas, que representaram um significado especial de
satisfação em tempos de fases antigas. Todos sabemos que, quando uma
pessoa, que já fora sadia e correta, começa a ficar neurótica, seu
estado comportamental torna-se infantil e imaturo tanto mais quanto
mais intensa for a sua neurose. Parece regredir, do estado de madureza
para o antigo estado de criança. Aí começa a adotar padrões de
comportamento que já tivera noutras épocas. Por exemplo, uma moça cuja
necessidade de amor seja frustrada no casamento, procura regredir,
em certos casos, a determinados estados de sua infância que lhe foram
ocasiões de grandes satisfações desta mesma necessidade de afeto,
revivendo o mesmo tipo do comportamento daquelas épocas.

2) A explicação dos desvios sexuais parece uma base correta nesses tipos de fixação e de repressão.

O narcisismo primário, que nas fases anal e fálica, leva a
criança a adotar comportamentos egoístas, monopessoais, egocentristas e
de auto-erotismo, nada mais é do que a volta à libido do EGO, própria da fase oral, que já devia ter ultrapassado, transferindo sua libido interior para a libido objetal
ou dos objetos exteriores, pais, irmãos, amigos, etc. é no entanto na
época da fase fálica em que a criança se mostra mais egoísta que nunca,
tudo querendo para si, brigando por tudo e contra todos, defendendo o
que julga ser seu e tirando dos outros o que não é seu. E se prolongar
através do período de latência, fixações e regressões posteriores,
darão origem a caracteres extremamente egoístas e narcisistas, que tudo
querem para si com prejuízo dos demais. O fumador, o beberrão, o
comilão e o jogador, são indivíduos que gastam lindamente todo o
dinheiro de seu ordenado, sem preocupar-se com as necessidades que
passa sua família, adotando um tipo de comportamento chamado de narcisisno secundário, reflexo da fase oral, respectiva e ultra-egoísta.

3) O mesmo tipo de fixação e repressão vamos encontrar nos comportamentos sádicos e masoquistas de muitos adultos, que não fazem mais do que voltar ao tipo de comportamento já estabelecido quando criança, durante a fase anal,
época de comportamentos dominadores próximos à crueldade, que podem
ver-se nas crianças dessa idade. De fato e nessa fase sádico-anal,
coincidindo com a saída dos dentes e o robustecimento dos esfíncteres,
que os desejos infantis adquirem tal vigor, algumas vezes, que de não
ser satisfeitos, provocam nas crianças reações extremamente agressivas
e destrutivas, mostrando como que grande prazer na destruição e no
sofrimento da coisa ou pessoa amada. E igual a criança, o adulto que se
sente impedido de alcançar um objetivo apetecido, diante do desprazer
ocasionado por essa frustração, é levado a uma reação de irritabilidade
e conseqüentemente de agressividade destrutiva. Qualquer tipo de
frustração pode levá-lo à mesma reação sádico-masoquista ou as mesmas
frustrações registradas quando criança.

Fatos infantis de intensa satisfação prazerosa ou de intensa
frustração costumam provocar imagens e lembranças carregadas de
afetividade, como em tempos posteriores, surgindo de novo na memória
pelo mecanismo da associação, e produzindo nova afetividade semelhante
à primeira e levarão o adulto, por regressão, ao mesmo tipo de
comportamento anteriormente fixado.

4) Homossexualidade: Houve um tempo em que se acreditava que
o homem homossexual (passivo) o era porque num corpo de homem habitava
uma alma de mulher; e vice-versa, a mulher homossexual (ativa) tinha em
seu corpo de mulher uma alma de homem! Hoje se fala do terceiro sexo, ou melhor, de sexos indiferenciados. De qualquer modo, as tendências afetivas desses indivíduos tornam-se invertidas.

Em muitos casos é possível que existam causas somáticas ou orgânicas
que ocasionem essa inversão de tendências anormais. Elementos hormonais
ou uma constituição somática inversa poderão originar tendências também
inversas.

Comumente, sem embargo, parece constatar-se que as causas
verdadeiras, próximas ou remotas do homossexualismo, nos homens ou nas
mulheres, residem mais em razões educacionais, culturais e sociais.

Estatisticamente falando, parece que a porcentagem de homossexuais é
muito menor no campo que na cidade. Isto nos leva a pensar que a causa
freqüentemente não é somática, mas psíquica e educacional.

Psicologicamente, o homossexualismo teria várias causas. Os meninos
muito apegados aos pais e as meninas muito ligadas às mães podem
desenvolver um comportamento regressivo de afeição por
parceiros do mesmo sexo. Máxime quando os meninos constantemente
escutam o pai falando mal das mulheres e as meninas escutam sempre a
mãe falando mal dos homens. Meninos que de crianças se criam
exclusivamente com meninos e vivem em colégios e externatos
exclusivamente de meninos, por falta de convívio, podem
desinteressar-se pelas meninas e desenvolver atitudes de timidez e
inibição diante das mulheres posteriormente. Nestes casos é fácil
desenvolver relações unilaterais com o mesmo sexo quando criança e por
fixação e regressão fazê-lo igualmente quando adultos. O mesmo ocorre
em tratando-se de meninas.

O desinteresse havido pelo sexo oposto, nascido da falta de
convívio, e as fantasias infantis e dos adolescentes a seu respeito,
podem explicar muitos dos casos de homossexualismo, nesses casos é
fácil criar amizades profundas entre indivíduos do mesmo sexo, capazes
de degenerar nesse tipo de sexualidade.

Freqüentemente o medo da responsabilidade de ter filhos, da carga de
um lar e de sustentar uma mulher, o ganho fácil de dinheiro e posição
social, bem como os maus exemplos e a iniciação alheia, podem ser
outras tantas causas de ordem educacional, cultural ou social e
econômica que possam dar margem ao início da homossexualidade.

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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