Dá para amar dois ao mesmo tempo?

Por Sandra Maia . 14.09.10 – 15h34

Dá para amar dois ao mesmo tempo?


religiões em que um homem pode se casar com até quatro mulheres – desde
que consiga sustentar e dar a cada uma o mesmo padrão de vida. Não pode
haver diferenciação na oferta ou na promessa. Há outras coisas que
também deve fazer: ir a Meca uma vez na vida, rezar todos os dias,
ajudar os mais necessitados etc, etc… Levando em consideração
diferenças culturais, sustentar diversas mulheres é muito diferente de
amá-las, certo?

Essa semana um leitor me fazia essa pergunta: “Será que dá para amar
duas mulheres ao mesmo tempo? Aqui na nossa cultura ocidental, com
todas as complicações que isso pode acarretar na vida de qualquer um?
Será que temos energia suficiente para dar a uma e outra a mesma
atenção e cuidado? Sem falar nas conseqüências, no que vem depois:
mágoa, confusão, ressentimento e dor é o que vamos provocar para nós e
para o outro  – nesse caso, outras?”.

É importante ampliar o olhar quando tratamos dessa questão que é tão
delicada. Não dá para fazer omelete sem quebrar o ovo, certo? Não dá
para se envolver com duas pessoas sem que uma ou outra sejam feridas…
Ao mesmo tempo, entendo que não dá para se aprisionar em uma relação
que já acabou! O ideal mesmo seria viver uma e depois outra. Ao mesmo
tempo, bem, ao mesmo tempo nos tornamos dissimulados, mentimos, não
somos nós mesmos em um ou outro lado.

Fico aqui então pensando qual o sentido disso tudo. Qual a busca de
um homem ou uma mulher que justifique o apaixonar-se por dois outros
simultaneamente? O que mais vejo é gostar de um por que é inteligente e
de outro por que é divertido. Gostar da cumplicidade e da intimidade
criadas com um e viver os riscos com o outro, etc…Até o ponto em que
nos tornamos estranhos para nós, para o outro, para os outros!

Amar a outro demanda tanto foco e atenção, diria até abdicação. Por
mais que tentemos dividir por dois, por três, não será mesmo amor. Pode
ser paixão, pode ser amizade, pode ser qualquer coisa. Afinal, QUEM AMA
NÃO MATA! Amor tem um quê de incondicional, de decisão, de
responsabilidade e respeito que tudo o mais não tem, daí a diferença.

No casamento

Então isso quer dizer que, se admito que possa me trair, me tornar
um mentiroso, me fazer pior e mais, se faço para mim, porque não para o
outro que está lá do meu lado? O que me faria crer que isso é amar?

Isso faz mais sentido quando um está extremamente confortável no seu
casamento, porque lá recebe carinho, amor, amizade, etc… Está
financeiramente também resolvido, mas amor, bem, o amor, de sua parte,
em alguns casos já se foi. Já se transformou em amizade, em algo a mais…

Então, por “n” questões (culpa, desvio de comportamento, paixão,
falta de coragem, conveniência, etc, etc), mantém vidas paralelas. É
nesse momento, em que não se está feliz nesse conforto desconfortável,
que encontramos outro e voltamos a ser criança! Apaixonamo-nos, viramos
adolescentes de novo. Voltamos a nos cuidar, retomamos nossa
auto-estima e então – por amor ou até remorso – reascendemos também a
chama do casamento já quase apagada…

Talvez por isso, em muitos casos, a amante ou o amante servem de
alavanca para que o outro ponha um ponto final na sua relação, de bode
expiatório para que o outro entenda de uma vez por todas que é muito
melhor estar casado, ou de fato, para fazê-lo, compreender que o amor
existe. Em qualquer dos casos, é mínima a possibilidade do outro se dar
bem…

Perdoe-me se estou sendo tão direta, mas acontece dessa forma. Fale
com os amigos, converse, envie seus comentários e histórias – você verá
que só mudam os personagens, o cenário, o conteúdo é sempre o mesmo.
Uma relação desgastada que precisa de fôlego para reascender e outro
incauto que entra de gaiato ou gaiata…Quem é mais usado nesse caso?
Quem usa quem?

Troca

Verdadeiramente, sempre há uma troca e sempre podemos aprender com o
que nos chega ou com aqueles que decidimos incluir nas nossas vidas.
Nada é em vão. Nada é por acaso. Se escolhermos viver uma história
dessas, que não é nossa, é porque precisamos disso para também nos
redescobrir, também acordar.

A questão e o convite que coloco aqui é que, uma vez despertos, bola
para frente. Incluir esse tipo de situação na nossa vida, ficar nesse
tipo de relação – seja do lado de dentro ou de fora – nem sempre traz
felicidade. Não tem boa energia. Até porque, por princípio, tudo já
está tão emaranhado que dificilmente se pode sair sem se machucar…

Enfim, pense, reflita, busque o sentido para a vida e para o amor. Olhe para dentro. A resposta já está lá. Basta acessá-la.

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
Esse post foi publicado em Saúde e bem-estar. Bookmark o link permanente.

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