Você sabe lidar com a carência?

Você sabe lidar com a carência?

Sentir-se
carente é algo que acontece com todos os seres humanos. A carência
afetiva pode ser mais ou menos intensa, pode durar um período curto ou
longo e algumas pessoas vivem no estado de carência uma vida inteira.

O
que ocorre na maior parte das vezes é que não fomos treinados para
suprir nossas carências, ao menos temporariamente. Imaginamos que esse
suprimento afetivo só pode ocorrer se estivermos com um parceiro ou
parceira. Não é à toa que existe muita gente que "não consegue ficar
sozinha".

Temos várias fontes de afeto que não reconhecemos
como tal porque nossa cultura praticamente exige que estejamos
namorando ou casados, como se isso fosse garantia de plenitude afetiva.
Não é!

E por causa dessa crença ficamos menos seletivos,
acabamos por entrar às cegas em relacionamentos que se transformam em
sofrimento e problema assim que termina a fase do encantamento, da
sedução. Nos vemos envolvidos com pessoas difíceis, ciumentas demais,
exploradoras, insensíveis, desrespeitosas, com uma personalidade muito
distante daquilo que pretendíamos ter ao nosso lado. E por medo da
solidão, na ilusão de que estar com alguém estaremos a salvo da
carência, não nos damos conta de que continuamos esvaziados de afeto,
mendigando amor e atenção.

Quando você se sentir carente,
volte seu olhar para os outros setores de sua vida e perceba o quanto
está perdendo em qualidade de vida afetiva quando acredita que só pode
ser suprida ao estar mergulhada num relacionamento a dois. Preste
atenção em:

  • Sua família –
    seus pais, por mais que vocês tenham problemas de convivência,
    demonstram o amor das mais variadas formas: fazendo aquela comida
    gostosa, cuidando da organização e sustento da casa, se interessando
    por seu bem estar. Abra seu coração para esse carinho silencioso, saiba
    receber e retribuir. Reconheça o afeto contido nas pequenas atitudes.
  • Seus filhos – pequenos ainda, ou adolescentes e mesmo já adultos,
    demonstram seu carinho com uma brincadeira, dividindo um segredo,
    partilhando uma alegria, demonstrando confiança.
  • Seus
    amigos – o convite para uma festa, a declaração de amizade, o ombro
    oferecido sem outro interesse a não ser amparar você ou a busca de seu
    ombro confiando problemas.
  • Seus colegas de trabalho
    ou de colégio/faculdade – a ajuda prestada numa matéria ou a orientação
    sobre as diretrizes da empresa são uma atitude generosa, o convite para
    o almoço ou para a balada demonstrando que sua presença é querida…

Se você aprende a reconhecer nos pequenos gestos uma atitude afetiva,
você passa a se sentir muito mais suprido e feliz. Mas tão importante
quanto sentir-se nutrido por colegas, amigos, familiares e filhos, é
aprender a nutrir a si mesmo. Valorize suas qualidades e aprenda a
reconhecer as coisas legais que você faz, a pessoa bacana que você é!
Aprenda a dar a você mesmo pequenos presentes, desde uma xícara gostosa
de café até uma merecida viagem de férias. Mas faça isso com
consciência, sem ligar o "piloto automático". Enquanto estiver
preparando seu café, curta esse momento, perceba que você pode se
afagar quando curte o prazer de deitar em lençóis cheirosos ou quando
prepara a pipoca para assistir àquele filme que queria tanto ver.

Os
pares que escolhemos para compartilhar a vida a dois estarão muito mais
próximos de nos satisfazer afetivamente quando somos movidos pelo
desejo de estarmos acompanhados, ao invés de estarmos movidos pela
necessidade de suprir nossas carências. Quando estamos em paz por
sabermos que somos capazes de nos suprir de diversas formas, estamos
também mais alertas, conseguimos detectar melhor se a pessoa com quem
estamos nos envolvendo tem as qualidades que desejamos e merecemos.

É
muito importante estar "antenado" em você mesmo e reconhecer o tanto de
afeto que o cerca. E antes de sair desenfreadamente buscando do lado de
fora preencher os vazios do seu coração, faça antes por você mesmo o
que gostaria que alguém fizesse. Ou seja, cuide de você. Ame-se!

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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