Hipocondria – José Atilio Bombana

Hipocondria



Escrito por Dr. José Atilio Bombana

  
Qua, 29 de Julho de 2009 19:58

O que é hipocondria?

Trata-se de uma interpretação errônea de sensações corporais
corriqueiras, que são percebidas como anormais, levando ao medo e à
crença de se estar gravemente doente. A atenção é geralmente voltada
para um ou dois órgãos ou sistemas do corpo. Embora atualmente seja
categorizada como uma entidade clínica separada (F45.2 da CID-10),
sabe-se que sintomas hipocondríacos existem também em outros quadros
psiquiátricos (depressão, por exemplo) ou mesmo como um traço de
personalidade presente em maior ou menor grau na população geral.

 

Quais são as causas?

Nesse complexo campo é mais adequado falar em mecanismos de formação
de sintomas do que propriamente em causas específicas. É sugerida uma
etiologia multifatorial.

A amplificação das sensações corporais, uma atenção exacerbada sobre
sensações corporais geralmente comuns, é um dos mecanismos
frequentemente mencionados. Outro mecanismo é o da “necessidade de ser
doente”. Haveria um apego ao papel de doente, que confere aos pacientes
uma certa identidade (a de doente), além de diminuir expectativas antes
depositadas neles e possibilitar algumas vantagens, o chamado ganho
secundário.

Mecanismos masoquistas, ligados a sentimentos inconscientes de culpa
e a um certo orgulho de suportar o que poucos suportariam, também estão
presentes.

Fatores biológicos (como, por exemplo, os genéticos), embora ainda não se tenham dados precisos, são também aventados.

 

Quais os sintomas? Como a pessoa hipocondríaca age?

O medo e a preocupação constante com a possibilidade de ter
determinada doença orgânica grave são os sintomas básicos dos
hipocondríacos. Em outras palavras, acham que há alguma coisa errada
dentro deles (de seus corpos), o que produz um grande sofrimento.
Tendem a procurar serviços médicos freqüentemente, consultam-se com
inúmeros especialistas, embora não se convençam com as explicações que
esses lhes dão, continuando assim suas peregrinações. Querem fazer
exames, acreditando que algum deles revelará finalmente o seu mal. E
são apegados a remédios, os quais conhecem a fundo, embora muitas vezes
tenham receio de utilizá-los. Muitos passam a viver em função dos
serviços de saúde.

Em termos do funcionamento mental, freqüentemente ocorrem vivências
persecutórias, o que fez com que o quadro fosse chamado de “paranóia
das vísceras”.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito basicamente por meio da história clínica do
paciente, do relato dos sintomas e comportamentos descritos acima, não
existindo exames laboratoriais específicos que confirmem o diagnóstico.

Para que se configure o diagnóstico de hipocondria, o quadro deve
ter uma repercussão importante na vida do paciente, ou seja, deve
causar sofrimentos e limitações consideráveis. Isso porque alguma dose
de cuidado com o próprio corpo é essencial para a sobrevivência,
deve-se levar em conta os sinais do corpo. O problema é quando isso
passa a predominar na vida de alguém.

 

Há prevenção?

É difícil apontar para uma prevenção específica. Entretanto sabe-se
que a história de vida contribui no surgimento do quadro. Famílias em
que as questões de doenças predominam, por exemplo, naquelas com
pessoas com doenças crônicas graves que vivem em função disso, famílias
que valorizam o corpo em seus mínimos detalhes (como ideais de beleza e
perfeição), facilitam o quadro.

Outra questão é a cultural. Vivemos uma época que privilegia a
beleza corporal, como a grande procura por cirurgias plásticas
estéticas demonstra. O corpo, assim, ganha um relevo especial, e para
algumas pessoas passa a ser o centro de suas vidas.

 

Há tratamento?

Sim, embora dificultado pela falta de reconhecimento do paciente da
necessidade de tratamento psíquico e, portanto, do atendimento com
psiquiatras e psicólogos. A psicoterapia é fundamental. Não há
medicação específica para a hipocondria, mas sim para alguns sintomas
associados. Os antidepressivos são úteis em alguns casos, assim como os
ansiolíticos (“calmantes”) em outros.

 

 

Dr. José Atílio Bombana é Professor do Departamento de
Psiquiatria da Unifesp/EPM e psicanalista do Departamento de
Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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