Persistência ou teimosia?

Por Sandra Maia . 17.08.10 – 14h49

Persistência ou teimosia?

Em toda relação, ou melhor, em
toda situação é preciso levar em conta como agimos. Será que estamos
persistindo porque faz bem, porque esperamos ter sucesso? Ou será que
estamos teimosamente tentando fazer virar uma situação que não tem a
menor possibilidade de dar certo? Auto-destruindo-nos, abandonando
nossos sonhos, destruindo o outro? Pois é: teimosia ou persistência?
Burrice, ingenuidade ou lucidez, inteligência emocional?

Assim tomamos nossas decisões.
Ora com clareza, ora com a cegueira que nos cabe. Em relacionamentos
amorosos é tudo mais complexo – as emoções estão à flor da pele…
Tendemos por isso, ficar mais do que deveríamos. A cobrar mais do que
poderíamos. A confundir tudo e pensar que estamos no caminho… Quando, na
verdade, estamos é nos distanciando do centro – do outro.

Não faz diferença
“A mente MENTE!”, dizia-me um amigo. E, quanto mais dermos ouvidos a
esses nossos pensamentos tresloucados, mais fácil entramos numa fria –
do tipo AUTOBOICOTE. Ou seja, deixamos de lado a ideologia do viver bem
para, num rompante quase sadomasoquista, viver mal. E, nisso tudo, que
diferença faz se é amor ou paixão? Quase nenhuma.

A bola ainda está conosco. E,
nesse contexto, mais do que discutir o teor do sentimento, o melhor
mesmo é viver, arriscar, entender que tudo o que é demais não tem
importância se tivermos para onde voltar.

Errar é humano
Então, persistir é humano. Errar também… Ou seja, fica mais fácil errar
menos quando sabemos que, se não der certo, vamos ter acolhida. Vamos
poder voltar atrás, dar meia volta, retomar do zero uma nova
oportunidade. Fácil, não?

Não é fácil entender que
erramos. Que o amor não é para sempre. Que as nossas decisões e escolhas
de vida podem ser mudadas toda vez que desejarmos.
Fica então o
bate boca normal daqueles que entendem que o que começou tem de acabar.
Comeu a carne tem que roer o osso etc, etc, etc…

Será mesmo que não dá para
refletir sobre nossa situação atual e buscar uma atitude? Será mesmo que
precisamos nos condenar a qualquer tipo de relação só porque, em algum
momento, fizemos a escolha?

Dependência
Viver louco de amor é muito bom. Bom enquanto há troca, enquanto dá
prazer. Viver louco de amor por outro que não está nem aí é dependência.
Amar demais, como gosto sempre de reforçar, não tem problema se
entendermos que não é a quantidade que conta e sim o como. O como
podemos incluir o outro na nossa vida sem abrir mão da nossa identidade,
da nossa essência.

Por isso, talvez os poetas, os
romancistas tenham vivido tão bem grandes amores. Tantos quanto lhes
foi possível amar. Isso é ruim? Diria a você que, ao contrário, é um
privilégio para poucos. Para aqueles que aceitam correr riscos. Que
compreendem a diferença do que faz bem e do que não faz. Entre
experimentar e abrir mão – desapegar. Abrir-se para o novo.

Bagagem
Ao
final da contas, vale sempre lembrar: não há nada que possamos levar
conosco em outras vidas. Não há nada além das emoções… Talvez por isso
insista tanto em manter a reflexão sobre o que estamos fazendo com
nossas vidas – enquanto discutimos o que é certo e o que não é!

Certo é tudo o que podemos
fazer no momento em que estamos fazendo. Isso quer dizer que não
erramos? Não. Quer dizer apenas que, quando estamos presentes,
sintonizados com a realidade, podemos sempre nos desculpar, voltar
atrás, mudar o compasso, o passo, escolher outro caminho…

O outro irá aceitar? Perdoar-nos? Talvez! E quanto a isso nada a fazer. Somente viver, caminhar, manter-se em movimento…

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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