Correndo Riscos – Amar e deixar-se amar

Correndo riscos

Sandra Maia

Tenho
abordado ultimamente muitos temas para aqueles que amam demais –
aqueles que amam fora da medida e, fazem do seu relacionamento, uma
fonte de prazer negativo. Falo pouco realmente para aqueles que amam de
menos e, pior, não se deixam amar. Para estes, fica aqui a pergunta que
não quer calar: o que falta? Qual a dúvida? O que os impede de correr
riscos? O que de fato acontece para que se fechem para o mundo – para o
que poderia ser, para o experimentar?

É claro que muitos viemos para
viver só. Viver só, felizes, por opção, por escolha, porque assim
queremos passar nossos dias. E, nesse sentido, é muito provável que já
tenhamos vivido diferentes relações e que estejamos sós no momento por
prazer, porque nos faz bem, porque assim desejamos! Vivemos aquele
tempo que nos faz avaliar a que viemos, o que queremos ainda
experimentar e, também, um tempo para projetar o que vamos fazer daqui
para frente – agora, mais sábios, mais maduros, mais experientes…

O problema é que com outros
alguns de nós não se dão sequer a chance de experimentar viver uma
relação. Não querem correr riscos – amar e se deixar amar. Fazem isso –
em muitos casos – por medos infantis. Crenças errôneas – adquiridas na
infância – e que os impede de amadurecer emocionalmente. Podem ser
grandes profissionais, grandes seres humanos – mas na questão
emocional, continuam agindo como se tivessem 7, 8 anos de idade.

Ajuda com naturalidade
E por que escolhem isso para a vida? Por que querem? Não acredito.
Mudar uma crença infantil é mesmo para poucos. Há que fazer terapia,
buscar ajuda, descolar-se do que não faz bem e, para tanto, não há como
se redescobrir sem o outro.

E nesse caso, sim, ajuda
profissional pode ser bem vinda e deveria ser encarada com
naturalidade. Dessa forma, a possibilidade de ficarmos trancafiados num
mundo solitário, achando-nos os mais injustiçados, mal amados, por fim,
os piores do universo diminuiria.

Autopunição
Quando agimos dessa forma, nos auto-magoando somos duplamente punidos…
Primeiro, pelo próprio ser que maltrata mesmo. Depois, pela sociedade.
Sem compreender bem os dilemas que vivemos, arriscamos soluções
mirabolantes, a sugestão de riscos fáceis com referências no que se
acredita… E isso – infelizmente – não funciona. Simplesmente nos
empurra para mais dentro do nosso mundo de desilusões.

Nesse sentido, se a ordem é
ajudar a quem precisa, nada melhor do que encaminhar esse companheiro
para uma terapia, um trabalho em grupo – algo que o faça compreender
que não é o único a sofrer e a trazer consigo para o mundo adulto
crenças que fazem mal. Que congelam, paralisam e castigam…

Opção
Viver só por opção é possível. Muitos fizeram essa escolha. E viver só
não quer dizer viver sem amor. Esses seres iluminados escolhem muito
bem suas almas companheiras que preenchem sua vida, seu coração e sua
alma com afeto, amizade, respeito e consideração e, com freqüência,
retribuem à sociedade com o mesmo carinho.

Viver só, porque se sente
vitimizado, inferiorizado, infeliz, etc, etc não faz bem. E pior: nos
coloca em um círculo vicioso, que faz com que essa escolha não tenha
começo, meio e fim. Condenamo-nos a viver da forma como não queremos ou
aceitamos porque não sabemos fazer de outra forma. Então, o melhor a
fazer nesses casos é exercitar a humildade e buscar apoio de quem
realmente entende de comportamento.

A escolha como sempre – para o bem ou o mal – é sempre nossa…

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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