Psicanálise exige tempo e reflexão

Psicanálise exige tempo e reflexão

O tratamento, considerado lento por muitos, segue os princípios criados por Freud – e não sucumbiu à pressa da sociedade atual

Priscilla Borges, iG Brasília | 27/03/2010 07:51

Se
por um lado a psicanálise buscou o aperfeiçoamento de teorias para
adequá-las aos desafios da sociedade atual, por outro se manteve firme
em princípios de formação e tratamento. Essas são parte das tarefas
atribuídas à associação criada por Sigmund Freud (1856-1939) para
divulgar a psicanálise, The International Psychoanalytical Association
(IPA), que comemora seu centenário neste sábado.

Com críticas ou não, os seguidores de Freud zelam para que os
princípios preconizados pelo médico se mantenham eficazes. O
tratamento, considerado lento em excesso por muitos, não sucumbiu à
pressa da sociedade atual. “Há um anseio por soluções rápidas, fáceis e
indolores nesse meio dominado pelas imagens e descargas impulsivas”,
pondera Cláudio Eizirik, da Sociedade de Psicanálise de Porto Alegre e
ex-presidente da IPA.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São
Paulo, Plínio Montagna, considerar o tratamento da psicanálise lento
representa uma distorção. Segundo ele, é possível melhorar sintomas de
dor e ansiedade de forma rápida, em poucos meses. Porém, dependendo do
objetivo, será preciso ter paciência. “Se a busca é por uma mudança
estrutural, é outra história. A única psicoterapia que pode chegar a
isso é a psicanálise, então não há, nesse campo, comparação possível
(de tempo)”, afirma.

A recomendação para os pacientes que se submetem às sessões de
psicanálise é que as visitas ao analista aconteçam, pelo menos, três
vezes por semana. Cada encontro tem, em média, 50 minutos de duração.
Só com a freqüência e a intensidade das sessões, é que se acredita que
o vínculo será estabelecido entre analista e paciente. “Com isso é que
a pessoa pode estabelecer confiança e se abrir”, ressalta o presidente
da Federação Brasileira de Psicanálise, Leonardo Francischelli.

Eizirik defende que o tempo e a reflexão são fundamentais para
explorar os meandros desconhecidos da mente humana e tentar compreender
conexões entre passado e presente.

Formação

Não é simples se tornar um psicanalista: são necessários quatro anos
de formação (estudos das teorias e análise), atendimento de pacientes e
ainda há uma monografia final. Os critérios de formação e seleção de
candidatos a psicanalistas são rígidos e seguem orientações da IPA. No
entanto, os institutos filiados têm a liberdade de definir alguns
critérios para a aceitação de candidatos, por exemplo.

A Sociedade de Psicanálise de Brasília, por exemplo, aceita
profissionais formados em qualquer área do conhecimento. Outras só
recebem médicos e psicólogos. Os currículos dos candidatos, a
autobiografia delas e entrevistas fazem parte do processo de seleção.
Depois, os aprovados precisam fazer análise com um psicanalista
recomendado por um ano. São exigidas, no mínimo, quatro sessões
semanais.

Prontos, eles passam a estudar as teorias, que duram quatro anos, a
acompanhar casos clínicos e, depois, apresentar relatórios clínicos. Ao
longo da carreira, a formação precisa ser contínua. Os profissionais
são estimulados a desenvolver pesquisas, participar de congressos e
grupos de trabalho. Na SPB, há uma clínica social para os interessados
em fazer psicanálise e não podem pagar pelo tratamento.

Pedro Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise do
Rio de Janeiro (SBPRJ), ressalta um ponto importante da ciência criada
por Freud: ela manteve interface com ciências, como a antropologia e a
filosofia, para se aprimorar. “A pluralidade é fundamental para a
psicanálise”, comenta a presidente da SPB, Silvia Helena Heimburger.

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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