Relacionamentos – Não é amor… – Sandra Maia

RELACIONAMENTOS – Não é amor


Qua, 06 Jan, 10h12

Por Sandra Maia*/Especial para BR Press

(BR
Press) – Acordei assim hoje: com uma vontade imensa de falar sobre o
que é realmente o amor e, por mais incrível que pareça, decidi começar
com o que não é AMAR – até porque quero crer que muitos de nós conhecem
melhor o que não é amor – alguns poucos se permitem viver relações para
as quais estão prontos.

Não é amar: viver em função do outro, viver em uma confusão de
pensamentos e sentimentos que tiram o foco, viver triste, com receio da
perda, do abandono, da mentira, aceitar migalhas, viver se rastejando,
falar o que não sente, conceder indefinidamente, adiar sonhos,
encolher, esconder-se, deixar-se morrer, anular-se.

AMOR É MESMO UM MIAGRE. Embora todos queiramos experimentá-lo,
buscamos parceiros que não têm condições de nos mostrar o caminho? Não
sabem, não conhecem o que é amar. Ignoram como é bom ter alguém por
perto para compartilhar, ser e estar.

Então, ao final, como é isso? Como é viver uma relação onde cada um
dá o seu melhor? O amor floresce. Cada um decide – no dia-a-dia –
escolher a relação. Com é viver dessa forma? Dois inteiros, dois que
querem e investem no relacionamento, trocam?

Tenho amigos e amigas que vivem em histórias absurdas – aquelas que
nascem para não dar certo. E a questão é sempre a mesma: SORTE, AZAR OU
ESCOLHA? O que será? Fácil falar que não damos sorte no amor quando
trazemos para nossas vidas tudo o que não dá, tudo o que não funciona,
tudo o que não é amor.

Qualquer coisa

Pode ser paixão, excitação, autopunição, desejo – não sei. Pode ser
qualquer coisa. Mas não AMOR. Essas situações mantém-nos reféns, nos
fazem infantis, desajustados. Essas escolhas nos tornam eternos
infelizes, vítimas, nos colocam no chão – abaixo do asfalto, abaixo do
aceitável…

O AMOR É INCONDICIONAL… Ah, essa coisa que muitos vivem por aí
não, não é verdadeiramente amor… Pode ser controle, dependência, pode
ser simplesmente escolha com base em crenças erradas… Aquelas mesmas
que trazemos da infância e repetimos na vida adulta. Crenças como "só
eu vou poder mudá-lo(a)", "ele(a) me ama, só não sabe", "está
acontecendo algo – forças estranhas separam nosso amor", "ele(a) me
quer – só não consegue aceitar", etc, etc.

O pior é achar que tudo isso É NORMAL. Saiba que NÃO É NORMAL.
Normal deveria ser o bom. Viver uma relação sem o medo eminente da
perda, sem dor, sem sofrimento, sem qualquer função que nos tira do
nosso foco, nossos sonhos, nossos planos de crescimento e
desenvolvimento humano.

Normalidade

Posso lhes afirmar NÃO É NORMAL viver querendo morrer…
Relações com essa dinâmica viciam. São como um THRILLER – cheias de
EMOÇÃO, DE ALTOS E BAIXOS, DE PAIXÃO, VIDA E MORTE. Atraem por ser
SUPER, SOBRENATURAIS, ENIGMÁTICAS… Fazem-nos viver na ilusão fora da
realidade, nos esquecer da verdade, do ser, do amor verdadeiro.
Enganamo-nos…

E como vocês também devem conhecer ou viver histórias parecidas,
essa semana, conversando com a amiga de uma amiga, um caso me trouxe à
mente como num espelho uma questão que demonstra o quanto podemos nos
tornar ridículos quando no deixamos envolver em relações doentes…

Ela estava envolvida com um rapaz mais jovem – desempregado, não havia
estudado, ciumento, violento, envolvido com outras mulheres, sem
escrúpulos, com valores distorcidos, sem qualquer possibilidade de
acompanhá-la e ao seu filho… Enfim, um problema sem tamanho… O mais
incrível era ouvi-la dizendo: "MAS EU O AMO!" E, o mais complexo, ter
de dizer a ela: "ISSO NÃO É AMOR! É DOENÇA! Busque ajuda. Converse com
pessoas que vivem relações saudáveis. Veja como vivem. O que esperam um
do outro. Como é seu dia-a-dia. Nessas relações o que há é RESPEITO,
HARMONIA, DEDICAÇÃO, RESPONSABILIDADE. Há um cuidar da relação que os
mantém fortes, unidos, íntegros, saudáveis. Um conviver que faz bem.
Não tem soluços, não têm idas e vindas, rompimentos e voltas…"

Não foi fácil, mas arrisquei e tentei convidá-la a refletir,
pensar, compreender o que estava em jogo nessa teimosia. "AMOR",
comentei com ela, "é diferente do que está vivendo! É tranqüilo no que
pode ser, quente no que deve ser…" É esse o amor que podemos
escolher: sem sobressaltos, sem dor, sem tristeza, um amor leve, livre,
solto, um amor que vem para ficar, para uma vida, para o tempo que
durar…

Um amor que, sim, terá altos e baixos, conquistas e derrotas.
Mas que se sobressai a todos os percalços que a vida um dia traz.
Permanece..

Escolhas, sempre escolhas.

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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
Esse post foi publicado em Saúde e bem-estar. Bookmark o link permanente.

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