Cada um com seus problemas

Cada um com seus problemas


Seg, 01 Fev, 10h42

Sandra Maia*/Especial para BR Press

(BR
Press) – Em alguns casos, nos esforçamos para resolver nossas questões
mas, quando essas se tornam muito, muito complicadas preferimos cuidar
dos problemas dos outros. Sim, por mais complexo que isso possa
parecer, é isso que acontece. Então, trazemos para nossas vidas tudo o
que não presta. Situações ruins que, quando carregadas de um amor
obsessivo, deixam tudo ainda mais confuso!

Pensamos que amamos e, então, lançamos mão da nossa própria vida
para cuidar da vida e dos problemas do outro. Condicionamos tudo na
relação. Deixamos de lado nossos sonhos para sonhar outros sonhos e,
dessa forma, nos tornamos mais e mais vulneráveis, dependentes
emocionalmente.

Faz mal
O que isso quer dizer? Quer dizer que
sobrevivemos a relações fadadas ao fracasso. Aquelas mesmas onde não
somos bem-vindos quando interferimos no que não é nosso! Isso tudo faz
mal. Quando nos intrometemos em situações alheias nos traímos. Abrimos
mão de nós, do nosso caminho, do nosso aprendizado.

Além disso, quando, de repente, o outro – ainda que com um pouco
mais de amadurecimento emocional – decide por um ponto, acabar com a
relação, então ENLOUQUECEMOS DE DOR, SOFREMOS. Não aceitamos ser
abandonados ou rejeitados por uma pessoa tão "problemática". Até porque
– se até este ser, que, de repente, quando acordamos da ilusão, não
representa, de fato, o nosso ideal – NÃO NOS QUER, QUEM VAI QUERER?

Ainda assim, depois do rompimento mais conscientes da inutilidade
desse outro na nossa vida, ou melhor, do quanto tudo estava sendo
nocivo na relação, sofremos e queremos a qualquer custo mantê-la,
manter o outro, manter tudo confuso como sempre foi.

Bem, nessa toada é como se afirmássemos: "Que venham os problemas –
quanto mais complicados melhor!". Desse modo, numa espécie de quase
auto-boicote, abrimos mão de saber de fato quem é esse outro, para que
serve a relação, quem somos nós, o que queremos o que podemos e
aguentamos? Quais nossos limites? Qual nosso objetivo?

Mudança
Dá para mudar isso? Para alguns, diria beirar o
impossível sem ajuda especializada, sem um profundo trabalho de
auto-conhecimento que lhes possibilite compreender sua responsabilidade
por sua vida e por tudo o que lhes acontece. Para tudo o que provocam e
despertam nos que estão em volta. Para outros – mesmo com ajuda – é
importante saber que nem sempre é tão rápido como gostaríamos. Estamos
aqui falando afinal de mudança de comportamento. De quebra de
paradigmas. De abandono do vício.

O vício por um comportamento que tem como base relações complicadas
– sem qualquer possibilidade de dar certo – se torna parte integrante
do ser. É quase um traço de personalidade: viver o que não dá, escolher
as relações que não acontecem, não florescem, conviver com problemas,
experimentar o sofrimento…

Tudo isso nos leva a confundir amor com controle, cobranças,
possessão. Nos faz gostar ou desgostar mais da relação – do que do
outro em si. E, nesse turbilhão, passamos a viver num estado continuo
de confusão mental e de sentimentos que são, por vezes, opções
auto-destrutivas. Contribuem para a anulação do ser, do sonho, do que
somos, do que sentimos.

Relacionar-se
E, se é assim, por que então insistir nesse
comportamento? É claro que não é simples. É óbvio que não saímos desse
tipo de círculo sozinhos. E isso é interessante. Para sair do círculo,
do vício precisamos nos conhecer melhor. Saber a origem das nossas
crenças erradas, dos medos descabidos, infantis. E – por mais incrível
que possa soar -, para nos conhecermos melhor, precisamos nos
relacionar. Confrontar-nos. Testar nossos limites.

A análise e a terapia são ambientes saudáveis para fazermos isso sem
a exposição e para ganhar tempo… Funcionam quando verdadeiramente
tratamos de nós, nossos problemas, quando queremos nos transformar. Não
funciona quando só o que levamos para o divã é o outro…

A relação amadurecida, de dois que se conhecem e se permitem, não se
cobram ou controlam, sempre agradece. A vida fica mais possível
diferente de relacionamentos onde o que impera é o medo – o medo da
perda, seja da identidade ou da liberdade… Escolhas, sempre escolhas!

Sandra Maia é autora dos livros: Eu Faço Tudo por Você – Histórias e relacionamentos co-dependentes e Você Está Disponível? Um caminho para o amor pleno. Fale com ela no e-mail smaia@brpress.net.
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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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