Sedução compulsiva – Don Juanismo


"Nós somos do tecido de que são feitos os sonhos." (Shakespeare)

Sedução compulsiva – Dom Juanismo

 


Uma
das maiores queixas das mulheres em nossos dias, principalmente, as
mulheres mais maduras, é de que mesmo que elas se empenhem para a
conquista de determinado homem que amam de paixão, não conseguem de
seus amados o compromisso de amá-las, e nem que “assumam” as
relações. Muitas são conquistadas, e quando se entregam…são
mais do que rapidamente abandonadas e ficam frustradas e sós.

Para alguns
homens, a busca inquieta pela conquista, toma o lugar da estabilidade
na relação. O grande objeto do desejo é a conquista e não o
conquistado.


Para aquele
que seduz, a concretização da conquista se transforma em
monotonia, e desta forma, as relações são rápidas e sem nenhum
vínculo afetivo.


Segundo Jung,
os efeitos do complexo materno, a princípio positivos, podem gerar
distúrbios psíquicos, como o homossexualismo, a impotência sexual
e o Don Juanismo.

No
homossexualismo, por exemplo, a heterossexualidade do filho fica
presa à mãe de forma inconsciente. Já no Don Juanismo, a imagem da
mãe é a imagem da mulher perfeita, que não possui defeito e que
está sempre de prontidão para atender os desejos do homem.

Esta figura
materna, fortemente registrada na psique do homem interfere cada vez 
que o portador se apaixona por uma mulher e sente-se atraído
sexualmente por ela…e  assim que realiza a conquista.

A conquista é o
“lugar” aonde acontece a comparação e toda a paixão desaparece
repentinamente deixando a relação vazia e desinteressante. 
Neste caso, ele interrompe a relação. Não consegue firmar laços
duradouros porque busca a perfeição em todas as mulheres, acabando
por encontrar defeitos em todas.
Na verdade, este tipo de homem está
sempre procurando a imagem da mãe nas outras mulheres. (as vezes a
relação com a mãe foi boa demais, gerando a dificuldade da quebra
de vínculo no inconsciente).

No entanto, para
além da avaliação de Jung, outros fatores são observados no
comportamento daqueles que apresentam a síndrome de Don Juan ou Don
Juanismo, que não necessariamente afetam somente homens, mas também
mulheres (Don Juanismo feminino ou também a ninfomania).

O complexo de
rejeição por exemplo, é uma das características que traz consigo
o medo ou receio de amar.

Muitos homens
maduros, inteligentes, algumas vezes estabilizados profissionalmente,
não conseguem de forma alguma entregar-se ao amor de uma única
mulher, pois temem inconscientemente o abandono. E desta forma, o
comportamento fica sempre no plano da conquista, pois temem o
envolvimento afetivo verdadeiro, e o sofrimento que porventura
advenha desta relação de compromisso.

Neste caso,
conquistar se torna excitante e interessante, porém, a concretização
da conquista se torna frustrante e monótona, por significar a
necessidade de vínculo, de convivência responsável, de novas
“obrigações”, que o remetem ao mal estar. Assim, abandonar o
que já foi conquistado, para iniciar nova conquista, significa,
liberdade e desprendimento.

O Don Juanismo
também pode se manifestar no comportamento como conseqüência do
complexo de rejeição, pela via do abandono paterno, ou materno. O
medo de nova decepção afetiva empurra a pessoa para longe de se
comprometer no amor, como evitação de nova dor.

Outro fator
estimulador do comportamento conquistador, é o abuso sexual na
infância, apesar de que algumas correntes na psicologia ou na
psiquiatria não concordarem que possa haver esta ligação.

Existem ainda,
aqueles casos em que a sensação de “amor não finalizado”, faz
com que este homem procure desesperadamente em todas as próximas
relações, a imagem de sua amada, que o abandonou ou deixou de
amá-lo. Isto o estimula a manter a imagem do conquistador, para a
preservação de seu ego, porém como existe a comparação latente e
sutil, nenhuma mulher conseguirá de fato preencher a lacuna deixada
na sua lembrança.

 Ao contrário
do que se pensa, o portador do Don Juanismo sofre, pois se vê
incapaz de criar vínculos relacionais, pois a causa ou o motivo pelo
qual ele vivencia este comportamento, não lhe são claras e a
sensação interior é de grande vazio experimentado na alma, por não
conseguir viver a fundo nenhuma relação.

Tratar a causa
pela raiz, é a maneira de encontrar pacificação e coragem para
amar em paz e com responsabilidade.

O amor é o
sentimento curativo para a alma de todos os homens”.

 

Ana D´Araújo

 

 
 



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Sobre reanjinha211

Psicóloga clínica em São Paulo. Especialista em psicossomática psicanalítica.
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